
Dentre as inúmeras coisas que “sei” fazer além de fritar ovos e fazer pipoca no microondas, “sei ser” administrador de redes já faz algum tempo. E esse tempo e experiência como administrador me ensinaram tantas coisas que hoje posso me considerar um profissional um pouco acima da média.
Com certeza, uma das melhores coisas que tiramos da rotina são experiências que adquirimos. Infelizmente, nem todas as pessoas tem capacidade ou discernimento para entender isso e pior ainda são os que tiram conclusões precipitadas sem nem mesmo tentar se informar sobre a realidade das coisas ou simplesmente observar “o óbvio”.
Explico: uma das coisas que aprendi sobre computadores e redes é que os problemas e defeitos sempre se repetem, sempre são os mesmos e poucos profissionais têm visão suficiente para realizar ações proativas para prevenir o que é o óbvio.
E o que é óbvio?
- Redes não sobrevivem muito tempo sem manutenção e computadores menos ainda;
- A função primordial do administrador de redes é proteger o usuário dele mesmo.
A maioria esmagadora dos problemas dos computadores e das redes é causada pelo sujeito que é o motivo dos computadores e redes existirem; justamente o sistema que opera o sistema; o sistema que ocupa o espaço entre a cadeira e o teclado. “O problema é o usuário”.
Já calejado no assunto, tenho como rotina de trabalho, colocar as coisas para funcionar de forma “redonda”, logo no começo e criar ferramentas e métodos para apenas manter tudo como está, tudo já esquematizado para que boa parte dos problemas se resolva “sozinho”, pois como disse antes, muitos são mais do que previsíveis.
Isso torna o trabalho inicial muito árduo e complexo, mas quando está tudo pronto, fica mais fácil, bastando apenas fazer um monitoramento constante e realizar ações de manutenção rotineiras e é aí que entram os desentendidos…
Recentemente, em uma das empresas onde SOU responsável pelo andamento da informatização, fui chamado na “sala do chefe” para negociar a renovação do contrato. Já imaginando que teríamos uma boa negociação, apesar de sempre estar “psicologicamente” preparado para o que der e vier, fiquei frustrado ao saber que, depois de todo aquele trabalho, de deixar tudo redondinho e funcional, a empresa sinalizou que não haveria interesse em renovar a parceria.
Motivo? Alguém da equipe de suporte da empresa, que não me interessou saber quem é, disse que “eu não trabalhava”. Só ficava “mexendo” no computador do administrador e não consertava nada. Esse ser desprovido de capacidade analítica achava estranho ”eu não fazer nada” quando estava na empresa…
É interessante ver como algumas pessoas vêem o ambiente de trabalho. Pessoas com as mesas cheias de papel, cheias de e-mails para ler, cheias de clientes para atender, ficam horas e horas fazendo “o ócio” na empresa, fingindo trabalhar e ainda acusam os outros de fazer o mesmo, ou talvez de não fazer a mesma coisa que eles.
Como já não havia chances de renovar o contrato mesmo, liguei o botãozinho “marrento”, o que, confesso, não é bom para quem está por perto. E lancei as perguntas de praxe:
- A rede ou os computadores estão dando problemas?
- Houve algum problema sem solução?
- Alguém está tendo problemas ao usar a rede?
- Alguma vez deixei você, sua empresa ou seus funcionários na mão?
- Alguém na sua equipe não gosta de “gordos”? “Sério, mandei essa também!”
- …
Claro que as respostas também foram as de praxe:
“ – Calma! Não é bem assim! Somos amigos! Você está alterado! É culpa da crise! Blá blá blá…”
Resultado: ontem, passadas três semanas e um carnaval de caos na rede, recebi um telefonema direto da sede da empresa no “Panamá”, dizendo que gostariam de renovar o contrato comigo e ainda perguntando se eu tenho interesse em assumir a administração de duas outras filiais no país.
“Sério? Renovar aquele contrato para “fazer nada”? Vou pensar…”
Por quê? Duas semanas e um carnaval “sem eu fazer nada na rede” e tudo começou a ruir. Micros parando, vírus atacando, rede lenta, sem Internet, usuários acessando Orkut e pornografia. 12 gigabytes de downloads em apenas um dia…
Sim, vou aceitar! Não que esteja precisando desesperadamente do serviço, mas principalmente para ver a cara do(s) senhore(s) do ócio, ainda mais agora, que retornarei como “chefe” da equipe de ócio suporte!!!
Agora eu entendo mais do que nunca quando minha mãe diz:
“Em boca fechada, língua não ganha ferroada!”





1 comentário para este post
Em 6 de março de 2009 às 10:49.
luferat, tive problemas parecidos em uma empresa de manutenção que trabalhei poucos meses. enquantos caras ficava 2 horas para reinstalar um windows eu consertava as vezes 3 pc ao mesmo tempo, enquanto um instalava eu pegava outro pra verificar e os outros técnicos não gostavam e começaram a fazer fofoca e dificultar meu trabalho.
Chamei o dono da loja pra conversar, expliquei tudo, detonei os caras e pedi demissão na mesma hora.
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