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Concorrência nas nuvens

Por Luferat em 03/03/2009 às 11:32.

Aplicações em nuvem, Web 2.0, tableless(1) e outros termos abstratos que foram criados por pessoas que tentam impor e explicar “novas tecnologias” que sempre existiram acabam pegando e deixando a mente dos profissionais menos preparados meio confusa. Concorrência nas nuvens

Recentemente a Microsoft lançou o Office Live Small Business, que promete colocar de vez as aplicações das empresas “nas nuvens”. Na mesma época comecei a perceber que alguns profissionais ficaram preocupados com a notícia.

Eu estava participando de um projeto de rede onde também colaboravam outros colegas, a maioria é “multi-quebra-galho-faz-tudo” e, assim como eu, acabam envolvidos com web também.

Descobri sobre o lançamento do “novo” produto da Microsoft em um famoso blog onde um pobre profissional web choramingava nos comentários. Resumindo ele dizia:

… a web 2.0 trouxe interatividade e com isso, lixo. Qualquer um cria um site com tantos outros Wizards e o resultado pode não ser muito bom. Profissionais são descartados/desvalorizados e a qualidade decai. Difícil vai ser filtrar isso no futuro (ou hoje, já). Como encontrar algo, realmente relevante, no meio de tanto “conteúdo”?

Os amigos do projeto, que estavam ao meu lado neste momento sem prestar muita atenção à notícia que estavamos lendo, acabaram entrando na discutição, concordando entre si. E onde rolaram pérolas como:

… esse negócio de Web 2.0 é complicado. O cliente quer sempre um site igual ao Gmail…

… o sobrinho(2) do cliente e os baixos preços cobrados por outros profissionais ou até amadores para fazer um “saite” é que acabam com agente…

“... os clientes vivem “nas nuvens” e só querem sites em tons de azul claro…

… o “desainni” desses “saitis” realmente é um lixo só…

Sou um bom ouvinte e deixei as opiniões deles se formarem para cada um ficar satisfeito com seu ego e felizes com os protestos arraigados que fizeram para si próprios. E então, como de praxe, mandei um “ – eu não concordo!”.

– Poxa! Depois de todos terem entrado em acordo vem esse “gordinho marrento” e detona nosso alívio mental!!!

Google Apps
Google Apps.

Primeira coisa: a idéia da Microsoft não é nada nova nem tão pouco original. Como é da Microsoft, eles acabaram se sentindo mais afetados, mas o fato é que já existem aplicações “em nuvem” (Ta bom, não vou usar mais esse termo sem noção!) faz bastante tempo. Mesmo a idéia de juntar vários serviços web e oferecê-los como um pacote para empresas é conceito antigo e um bom exemplo é o Google Apps que uso quase que compulsivamente.

Concorrência? Sim, pode até ser! Afinal, é muito fácil para o sobrinho do cliente fazer um pequeno site vertical, em uma coluna, preto com letras vermelhas, e agradavelmente decorado com uns 50 “gif’s” animados para uma empresa ou uma intranet desta usando qualquer editor como FrontPage, Dreamweaver e até com o Word, como já vi vários.

Agora a coisa ficou mais simples ainda porque com a web 2.0 (Ui! Mais um termo sem noção?) é possível criar, hospedar, desenvolver, inserir ferramentas e manter o site, tudo no mesmo lugar em tempo real, bastando dar alguns cliques. Ou seja, nada de Registro.br, DNS, FTP, uploads, atualizações demoradas, tirar o site do ar, “em manutenção” e outras coisas típicas do dia-a-dia de um site tradicional.

E o “sobrinho” mandou bem…

Mas pensemos: se o “sobrinho” pode, porque o profissional não pode? Seria vergonha usar os mesmos “poderes” do “inimigo” contra ele?

Como profissionais temos que estar preparados. Antenados com tendências e mudanças do mercado para encará-las de frente. Criar novas idéias, mostrar diferenciais e aproveitar da melhor forma o que temos disponível. É fácil encarar a web 2.0 (“dinovo”) ou o “sobrinho” como concorrente e ficar “choramingando”. Mas lembre-se que “lixo” pode se tornar uma tendência!

Além disso, temos que lembrar que o site não é só visual. Para um site informativo, para o site de uma empresa, para uma página da intranet, talvez o conteúdo seja mais relevante. E quem cria o conteúdo? Quem o torna relevante? Quem o mantém atualizado e de acordo com o que o usuário busca? Seria a web 2.0?

By Luferat
Site da Amluferat no Google Apps

Esse tipo de “medo do desconhecido” tem acontecido no mercado de PCs. Na “concorrência” da Positivo + Casas Bahia e similares “versus” pequenos integradores e autônomos. Tenho visto poucos do “segundo time” se sair bem. A maioria só sabe mais uma vez choramingar, principalmente os velhos “botecos”(3) de hardware que acabam espalhando boatos de que micro da “Positivo” é uma porcaria, em uma tentativa mesquinha de “ganhar” o cliente.

Os profissionais modernos tem que ser libertar desse tipo de “bloqueio mental”. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar qualquer ferramenta, tecnologia ou oportunidade só porque não gostamos ou não nos adaptamos a ela.

Em uma palestra em que estive recentemente, apresentada pela nVidia para esses mesmos pequenos integradores, o palestrante ouviu muitas dessas reclamações e acabou mudando o assunto da apresentação para dar um puxão de orelhas bem dado, nos pequenos empresários.

– Quem não se aperfeiçoar, não se unir e diversificar seus serviços ficará às moscas… Ou vocês criam diferenciais junto ao seu cliente ou investem em outro ramo porque seus protestos não vão segurar a concorrência dos grandes fabricantes e varejistas…

Pessoalmente, tento aproveitar essas ondas o melhor possível. Agora, por exemplo, só “monto” PCs personalizados como PC games, servidores e workstations para aplicações especiais onde posso cobrar à altura e sem ouvir reclamações dos clientes, já que Positivo e companhia “ainda” não exploram esse mercado.

Se meu cliente precisa apenas de um PC familiar ou para acessar o Orkut e MSN, indico um Positivo ou CCE sem problemas e dependendo do cliente ainda vou nas Casas Bahia com ele para comprar! Traidor? Não, só estou atendendo meus clientes de forma especializada e de uma forma ou outra, ele continua “meu” e não da Positivo, CCE ou dos “bahianos”.

Office Live Small Business
Idéia da Microsoft não é nova.

Na web fiz o mesmo. Em vez de encarar o Google Sites, o Google Apps e outros serviços voltados ou não para “profissionais” como concorrentes, tenho migrado as aplicações de diversos clientes para lá, apresentando serviços diferenciados e com um retorno bem interessante. Coisas que duvido que o “sobrinho uébidesainner” do cliente faria sem ter que se esforçar muito!!!

A idéia é de que, se conhecer bem as ferramentas disponíveis, suas capacidades e limitações, usar toda nossa criatividade, conhecimentos avançados e bastante bom senso, podemos fazer bons trabalhos sem a necessidade de grandes recursos e até baixando os custos, afinal, as despesas com desenvolvimento, mão-de-obra e tempo diminuem drasticamente e podemos (na verdade, devemos) repassar isso para o cliente.

De outro lado, sempre vão existir limitações no que será possível fazer com esse tipo de serviço, o que abre caminhos para exploração do “tradicional” como Flash, hot-sites, cores personalizadas, logotipos, etc. Aí, mais uma vez o “sobrinho” não será capaz de nos acompanhar.

Já pensou em contratar o “sobrinho” para trabalhar para você?8-)

Quer trocar idéias? Nossos comentários e nosso fórum estão abertos…

__________________________________________________
1 Termos pseudo-técnicos inventados por alguém que quer fazer nome na mídia, para identificar novas aplicações para tecnologias que já existem a muito tempo, ou seja, não significam nada.
2 Cocorrente direto do profissional web que “cobra caro”. O sobrinho do cliente que fez um cursinho e faz um site pro titio por 10% do preço real.
3 Pequenas lojas de informática que expõem as mercadorias, muitas de procedência deconhecida, em balcões de vidro ou peduradas pelas paredes, que cobra barato, armazena e manuseia os produtos de forma completamente inadequada.

2 comentários para este post

Comentário de wallace.
Em 4 de março de 2009 às 11:40.

Andre,
Posso ate fazer um post explicando a razao de ser do TABLELESS e dos WEBSTANDARDS (ate porque agora faz parte do novo curso de webdesign da instituicao!), mas basicamente a ideia e facilitar o desenvolvimento de paginas/sites (os blogs sao um bom exemplo disso) e padronizar o codigo HTML com o mesmo objetivo. Indo alem, separando o conteudo (texto, fotos, animacoes, midias) da formatacao (CSS) pode-se mudar um site inteiro com pouco trabalho e mais consistencia. Com a ascencao dos dispositivos moveis, o CSS passa a ser uma boa opcao (layouts com tabelas nao aparecem direito na maioria dos dispositivos moveis).

Tem os contras: os navegadores nao leem o CSS ainda da mesma forma, entao a questao do desenvolvimento de design para web evoluiu mas ainda nao se resolveu 100%
.
Agora, concordo 2.000% quando voce diz que devemos aprender esas ferramentas novas e vender servico com elas, nao da para fugir da evolucao das coisas.

Gosto de sues pontos de vista independentes, que fogem ao lugar-comum, continue assim.

. . .
Comentário de Luferat.
Em 4 de março de 2009 às 15:02.

Wallace,

Manda ver! Você já sabe que o espaço para meu grande mestre está sempre aberto e aproveito para pedir que você quebre alguns paradigmas “paralisados” para agente.

Não gosto de entrar nesses “debates”, pois sempre saem faiscas. Hehehe! Ainda mais quando profissionais começam a discriminar “os outros” (ab)usando de conceitos que não compreendem completamente, então o assunto é todo seu!!!

Só não me entenda mal. Nunca disse que “web 2.0″, “nuvem”, “tabless” e “sobrinhos” não existem. Ocorre que tem muita gente explorando esses termos como coisa nova, fashion, da moda, da onda e até usando-os de forma indiscriminada e discriminatória (hurrrr!), o que é ainda pior, não é?

- web 2.0 é “web” e acabou! Nada mudou na Internet. Na verdade o que mudaram foram nossos computadores. Se fosse para dar uma nova versão, seria Browser 2.0, Windows 2.0 ou PC 2.0. O TCP/IP, modelo base da Internet, sempre premitiu todo e qualquer tipo de aplicação possa rodar online. Nada de novo.

– nuvem? Estudamos em rede que nuvem se refere a uma rede a qual nos conectamos, mas que não conhecemos a estrutura real. E estudei isso no século passado. Aplicações web nada mais são do que páginas mais incrementadas, mas usando as mesmas tecnologias que já existiam antes e agora estão mais baratas e acessíveis graças à evolução os computadores e não da web. Portanto, nada de novo.

– tabless: uns amam, outros odeiam, mas ninguém explica porque e quando tabless que dizer “sem tabelas”. Já ví site falando que tem que fazer calendários “tabless” e tabelas de preços “tabless”. Desde os primórdios, na era da Internet discada, era possível fazer um site “sem tabelas”. Um dia os layouts em tabelas viraram moda, tanto que diversos programas profissionais “tabelam” layouts!

E agora tem profissionais que execram outros que usam tabelas, frames, iframes como se fossem donos da verdade e conhecedores das “novas tecnologias”. Que nova? Esquecem ou sequer sabem que CSS, tabelas e frames existem há quase tanto tempo quanto HTML, são “WebStandards” e sempre foram usados. Só porque algum “cara” importante disse que “à partir de agora” NÃO PODE MAIS usar tabelas, iframes, frames ou CSS in-line, não justifica se tratar uma nova tecnologia ou que se está “obedecendo” o webstandards. Se fosse assim, deveríamos abolir Flash, Silverlight, Ajax e outras tecnologias “web 2.0″ que todo mundo usa e não as tabelas, os frames e as CSS in-line. Nada de novo…

– sobrinho: esse é o mais complicado, pois “ele sabe fazer sites”. Ainda mais na visão do cliente (ou tio). Muitos são formados por nós mesmos, professores que também somos profissionais web. Ou seja, muitos dos sobrinhos, só são “sobrinhos” por culpa nossa…

Entendeu meu ponto de vista – que não é só meu mas dos amigos citados lá no post também – Seria muito legal você esclarecer isso no seu artigo ou em um artigo ou post à parte e assim ajudar nossos estudantes e novos profissionais a ver a coisa como é na prática, onde “genérico não existe” e “cada caso é um caso”…

. . .

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