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Melhorando redes WiFi

Por Luferat em 20/08/2009 às 12:00.

Home WiFi

Muitos têm me consultado a respeito da instalação de pequenas redes sem fio em casa. A culpa disso está na quantidade de notebooks, netbooks e celulares com WiFi disponibilizados a preços bem acessíveis aos consumidores. Na maioria das vezes a pergunta do povo se resume a: “– Qual é o alcance de uma rede sem fio?”

Infelizmente a resposta tecnicamente correta é meio grosseira e vaga: “- Depende!”

Mas o fato é que esse número ideal – quantos metros ou quilômetros, que seja – não existe. Existe sim uma série de situações, de variáveis, de analises e testes práticos que vão nos levar a um resultado satisfatório, ou seja, “cada caso é um caso”.

Para começar, temos a escolha do ponto de acesso ou, na maioria dos casos, do roteador WiFi. Este aparelho funciona como um switch, só que para redes sem fio. Existem diversas marcas e modelos no mercado, todos muito parecidos tanto em formato físico quanto em características técnicas. Realmente a grande maioria é igual mesmo, fabricados com os mesmos chips de processamento e de rádio de origem chinesa. Na prática, para uso doméstico e até em pequenos escritórios, todos farão a mesma coisa.

Outro fator que afeta o alcance das redes sem fio são as ondas de rádio. “– Como? O que ondas de rádio têm a ver com rede sem fio?”. Sério! Já fui questionado sobre isso!

É pelas ondas do rádio que os bits, que os computadores usam para se comunicar, “surfam” pelas redes sem fio. Isso significa que aparelhos WiFi são equipamentos de rádio que transmitem e recebem, usando o ar como meio. Esse é o motivo da presença de antenas.

Acontece que a faixa de freqüências usada pelo WiFi é uma faixa livre e estreita, que também é explorada por outros serviços como microondas, celulares, telefones sem fio, walk talkies , controles remotos, Bluetooth, dispositivos médicos e diversos outros eletrônicos. Às vezes ocorre de, mesmo com a quantidade de sinal indicada nos medidores das interfaces apareça alta, a comunicação ser ruim, lenta e com quedas constantes por causa das interferências.

Roteadores WiFi
Vários modelos de roteadores WiFi. Escolha difícil.

Os padrões de rede prevêem que a qualidade da comunicação é mais importante que a velocidade. Daí, temos que lembrar que o ar é um meio compartilhado e todas as ondas que presentes nele podem vir a interferir na rede sem fio diminuindo a taxa de transferência para manter a qualidade dos dados transferidos.

Outro fator que as pessoas esquecem é que cada notebook, celular e qualquer outro dispositivo WiFi, além de receber dados, também transmite. Como cada equipamento é composto de um transmissor e de um receptor, se ligado, funcionará como mais um dispositivo interferente que afeta o funcionamento de outras redes nas proximidades.

Se for assim, lembrando que alcance e qualidade são coisas diferentes, como podemos melhorar o alcance e a qualidade do sinal? Aí vão algumas dicas que, se não resolvem, podem ajudar:

Para começar, mude a posição do roteador/ponto de acesso, que daqui em diante chamarei de “AP” (de Access Point ) :-) Muita gente instala este equipamento bem próximo ao micro de mesa, esquecendo que o gabinete do PC é de metal e isso dificulta a difusão das ondas de rádio.

O segredo é a posição das antenas. Quanto menor o número de obstáculos entre elas, melhor será o sinal, então posicione o AP o mais alto possível, seja em cima do PC, no alto da estante, fixo no teto e por aí vai.

Temos que lembrar que as antenas dos portáteis como notebooks são embutidas dentro da carcaça e isso também dificulta a recepção do sinal. Às vezes, só pelo fato de colocar o notebook em outra posição e até abrir ou fechar o LCD mais um pouco, o sinal melhora.

Antena WiFi de longo alcance
Antena interna que permite maior alcance.

Se você mora em uma casa grande e compartilha o WiFi entre vários equipamentos, pense em colocar uma antena maior no AP. Existem vários modelos no mercado, com a vantagem de terem cabos longos, permitindo maior flexibilidade ao posicioná-las no ambiente.

Sei que é tentador estender o alcance da rede sem fio para fora de casa, sendo acessível em toda a vizinhança. Isso é possível com o uso de antenas externas e com fator de ganho, mas pode ser uma “faca de dois gumes”. Para começar a antena tanto envia quando recebe, lembra? Então pode acontecer de, em vez de melhorar a transmissão, aumentar a recepção de interferências, já que a antena será maior e estará mais bem posicionada.

Outro fator a ser levado em conta é a legislação que não permite a irradiação de sinais fora do âmbito domiciliar sem concessão pública. Não queremos ver ninguém na cadeia por pirataria, não é mesmo :-P

Mais um fator de risco é a segurança da sua rede. Com alcance maior, significa que aumenta a possibilidade de mais pessoas “do mau” acessar sua rede para tentar invadi-la. Antenas externas devem ser usadas com equipamentos mais avançados, de uso profissional e instalada por quem entende de rádio-difusão.

Voltando à qualidade do sinal, todos os AP prevêem a possibilidade de escolher o canal de operação. Por padrão temos 11 canais na maioria dos equipamentos e talvez seja interessante procurar um canal menos congestionado para operar. Essa configuração é feita na interface do AP, normalmente acessível via navegador web. Alguns aparelhos tem um recurso que localiza automaticamente o canal mais “quieto” e se auto configura para operar nele, mas já vi modelos onde este recurso não funciona, seja por falha de projeto, seja para enganar o usuário mesmo.

Nesta mesma interface de configuração, em alguns modelos de AP, existe a possibilidade de controlar a potência de transmissão. Verifique se este ajuste não está muito baixo, fazendo com que o equipamento transmita com potência mínima, lembrando que potências altas demais também podem ser prejudiciais, vide os problemas da antena externa acima.

wpapsk
Mundando o canal e ativando a segurança do WiFi.

Como se vê, o assunto é extenso e cheio de meandros, pois como disse cada caso é um caso. Mas para fechar pelo menos este post, vai uma dica final: nunca, jamais, em hipótese alguma opere sua rede WiFi com a segurança desativada. Procure nas configurações do AP como ativar o WPA-PSK e logo em seguida coloque uma senha bem grande e complexa para evitar que você divida a rede com espertinhos, passivamente. Lembre-se também de colocar uma senha de administrador no AP. Uma boa lida nos manuais é essencial neste tipo de aplicação.

Qualquer coisa estamos aqui!

3 comentários para este post

Comentário de Jovino Brás Landoski.
Em 3 de novembro de 2009 às 09:27.

Muito bom! claro, preciso e conciso! esclarecedor!!!
Um abraço

. . .
Comentário de angelo.
Em 15 de dezembro de 2009 às 12:32.

Muito interessante o artigo.
Só uma dúvida: vc fala para ativar WPA-PSK mas WPA2-PSK não é mais seguro?

. . .
Comentário de Luferat.
Em 15 de dezembro de 2009 às 23:28.

Só uma dúvida: vc fala para ativar WPA-PSK mas WPA2-PSK não é mais seguro?

Com certeza, desde que seus equipamentos e o S.O. clientes o suportem. Acontece que nem todos os equipamentos de “meia idade” suportam protocolos mais recentes e alguns só suportam mediante atualização do firmware, mas aí temos que convencer os “clientes” (pessoas) a atualizar suas bigigangas.

Versões sem atualizações constantes do Windows XP, Vista e Linux também podem ter problemas de compatibilidade com os padrões mais recentes, assim como alguns smartphones, Palms, e media players com suporte WiFi.

Em termos de segurança eles são praticamente iguais. A diferença está no desempenho geral da rede que fica mais veloz (cerca de 1 à 5%) com o WPA2.

Estude o caso dos clientes e se houver problemas de compatibilidade dê preferência ao WPA…

. . .

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