- Resumo:
- Este texto procura discorrer sobre Estruturas de navegação interativa em hipertexto e hipermídia, com análise crítica sobre estas.
- Palavras-chave:
- Hipertexto, estruturas, navegação
- Abstract:
- This article discuss navigation structures in hypertext and hypermedia with critical analisys about them.
- Keywords:
- Hypertext, hypermedia, structures, navigation.
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O texto que inspirou este artigo é o “Sistemas de navegao em AI” de Robson Santos, que discorre sobre estruturas de navegação em hipertexto. Aproveitando as definições de Robson, procuro desenvolver o seu raciocínio aqui, detalhando como se dão estas estruturas, com uma leitura crítica sobre elas.
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| Fig.1 Navegações do ponto de vista da interação. |
Quando se fala sobre estruturas de navegação podemos dividi-las em navegação interativa e navegação não-interativa.
A navegação interativa se dá com ação do usuário. A web, aplicações em CD/DVD ou para PCs seriam os melhores exemplos de navegação interativa, que ocorre em camadas (de apresentação e de interface) percebidas pelo navegante.
Esse tipo de navegação se destina a conteúdo de hipertexto/hipermídia, onde o navegante decide a ordem pela qual deseja acessar uma informação fragmentada ou distribuída em várias páginas/telas ou mídias. A falta de projeto ou recursos de acessibilidade ou adaptatibilidade podem acarretar retardo ou ineficácia na apreensão do conteúdo.
A navegação não-interativa ocorre independente do espectador, ou seja, ocorre como apresentação de um conteúdo. Aplicações para quiosques e visitas guiadas poderiam ser bons exemplos de navegação não-interativa.
Do ponto de vista do espectador, na navegação não-interativa a apresentação é freqüentemente linear (mesmo que sua organização seja não-linear) e ocorre em uma única camada – de apresentação de conteúdo – mesmo que seja estruturada em mais de uma camada.
Essa navegação se destina a apresentação passiva (ou definida pelo autor), onde a compreensão do conteúdo está diretamente ligada a sua organização ou forma de apresentação.
Este texto procura discorrer sobre estruturas de navegação interativa.

Fig.2 Navegação do ponto de vista da estrutura e da profundidade.
1) Estruturas de MacroNavegação:
Compreenderiam o modo como o usuário/internauta percebe um conjunto de páginas de hipertexto.
Segundo Santos (2008) se dividem em Sumários, Índices, Mapa de navegação e Visita guiada.
Sumários e índices possuem a mesma função da informação em papel, organizar o conteúdo de modo geral ou por ordem cronológica, alfabética ou de assunto.
Esse tipo de organização é necessária em sites com grande conteúdo textual (sites acadêmicos, enciclopédias, livrarias, p.ex.). No caso de uma sumarização/indexação longa, pode ser recomendada a criação de tópicos com exibição/ocultação do conteúdo.

Fig.3 Sumarização ou indexação; organização geral ou específica.
Mapas de navegação, como os mapas geográficos, possuem nível de abstração (sinais contextuais e representativos) que nos auxiliam na localização do conteúdo ou informação.
Esse tipo de organização é necessário em sites de grande complexidade, porém pressupõem um projeto, como na mídia impressa (livros, revistas). Como em qualquer sistema digital de localização, pode ser complementado por um sistema de busca por palavra-chave, uma vez que pode não dar conta de direcionar o usuário plenamente.

Fig.4 Mapeamento da navegação: estrutura de localização ou diretório.
Visita guiada tem por objetivo introduzir o usuário a áreas de maior complexidade – ou conteúdo – num sistema (de informação, p.ex.).
Esse tipo de navegação faz fronteira com a apresentação ou tutorial (no caso, de navegação num sistema de informação). Portanto deve ser bem planejada para atingir o(s) seu(s) objetivo(s) – apresentar ou ensinar algo. Uso de narração em áudio não dispensa legendas, para usuários sem placa de som. Legendamento é particularmente útil para usuários não-fluentes em outros idiomas (se o conteúdo narrado for em inglês).

Fig.5 Visitação guiada: forma de tutorial ou sistema
de informação, normalmente linear. Pode se dar
com ou sem interação – ou ação – do usuário.
2) Macroestruturas de navegação:
Compreenderiam como as páginas são organizadas ou como se apresentam.
Página única
Neste exemplo, todo o conteúdo ocorre numa única página, em uma única janela do navegador. É a navegação clássica que deu origem à WWW (World Wid Web ou Rede Mundial de Computadores).

Fig.6 Navegação em uma única tela ou
interface: navegação tradicional.
Frames/quadros
Aqui o conteúdo é exibido em uma única janela do navegador, mas distribuído em duas ou mais páginas.
Muito se fala sobre a má usabilidade dos frames (ou quadros) quando colocados no ambiente de hipertexto. De fato, nos framesets – ou conjunto de quadros/páginas – um dos frames é a barra de navegação (ou tópicos do texto) e os demais são os textos destes tópicos.

Figura 7: Frames ou quadros: exibição simultânea
de diversos conteúdos numa única interface: do lado
esquerdo a página com os tópicos, à direita
páginas com o conteúdo, em separado.
Caso o usuário faça uma pesquisa num buscador e acesse um texto fora do contexto dos frames (sem os tópicos ou navegação entre as páginas) o entendimento do texto fica prejudicado.

Figura 8: Navegação em frames (ou quadros)
– o internauta que acessa uma página não
possui navegação para as demais.
Uma solução simples para esse problema está em colocar uma programação que force as páginas fragmentadas a ocorrerem sempre no conjunto de frames (frameset), exibindo a barra de navegação, que por sua vez estrutura e dá acesso ao texto completo. Ou um link que abra o frameset de origem, em outra janela do navegador.

Figura 9: Programação (script) força a exibição
do conjunto de frames (frameset).
Janelas “de salto” ou pop-ups
Aqui o conteúdo secundário é exibido em uma segunda tela (menor) do navegador, por ser secundário ou para forçar consistência do layout em resoluções de tela variadas.

Fig. 10: pop-up: interface de conteúdo secundário
ou complementar, sobre a página principal.
O seu uso abusivo além de problemas de navegabilidade (navegação distribuída em várias janelas pode confundir o usuário) deu origem aos bloqueadores de pop-ups (add-ins ou acréscimos internos) nos navegadores, que por sua vez esbarra na incapacidade de muitos usuários novatos em acessar sites em pop-ups. Esse fato levou aos projetistas de internet (webdesigners?) a voltar a desenvolver conteúdo em página única ou em camadas.
Camadas (ou layers)
Uma prática dentro do conjunto de conceitos que se convencionou chamar de “web 2.0”, é exibir conteúdo secundário in-page (dentro da página) e over-the-page (sobre a página), criando diversas camadas de informação numa mesma interface ou tela.

Fig.11 Interface em camadas, sobre a página: interface única, conteúdo múltiplo.
Camadas que restringem o acesso a página são o equivalente às telas de alerta do sistema operacional e devem ser utilizadas quando o conteúdo da camada é dinâmico e está diretamente relacionado à página (upload/envio de imagens por exemplo); camadas móveis (arrastáveis) reproduzem a experiência das janelas-pop-up (informar sem interferir com o acesso à página); camadas fixas devem ser utilizadas quando o conteúdo da camada está relacionado a determinado ponto da página (alerta para preencher campo de formulário, por exemplo).
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| Fig.12 Camadas restritas, móveis ou fixas: navegação dependente da interface. |
Uma prática pouco recomendável é a propaganda em camadas animadas com opção de fechar pouco clara, reproduzindo o problema dos pop-ups (conteúdo intrusivo). Os banners expansíveis, por exemplo, não padecem desse problema por serem fixos e terem exibição dependente do cursor sobre o banner (camada).
Santos (2008) propõe algumas topologias para as estruturas de navegação em hipertexto: topologia em árvore, em teia, navegação mista e linear.
3) Estruturas de navegação
Compreenderiam o modo como as páginas se relacionam entre si, ou como se organizam um conjunto de páginas no tocante ao seu acesso.
Topologia em árvore
Navegação estruturada (linear: breadcrumb, índice, mapa do site, visita guiada).
Neste caso a navegação é estruturada de forma hierarquizada, de cima para baixo, de modo geral (topo da árvore) ou em blocos (ramos da árvore).

Fig.13 Topologia em árvore: organização clássica da navegação.
O ponto negativo é que este tipo de navegação pode engessar o acesso à informação: para acessar um ponto de outro ramo, deve-se voltar ao topo da árvore (ou página inicial).

Fig.14 Estrutura tradicional amarra a navegação
ao menu principal, colocando pelo menos um clique
a mais entre a origem e o destino.
Topologia em teia
É a navegação não-estruturada (internet). Aqui, qualquer página pode levar para qualquer outra página, dentro ou fora do site (estrutura de hipertexto) que originou o link.

Fig.15 Navegação em teia: uma única tela pode remeter
o visitante para fora de seu site (sem retorno direto) ou
gerar interface de navegação confusa com muitas
opções (menu, lista vertical e/ou horizontal, etc.).
No caso de links que apontam para um “corpo fechado” (site ou conjunto de páginas de um hipertexto) há que se estruturar os links para que o conteúdo possa ser compreendido ao ser acessado de forma linear ou não-linear. A barra – ou menu – de navegação seria uma solução nesse sentido.

Fig.16 Barra de navegação permite navegação linear ou não-linear.
No caso de links que apontam para “corpos abertos” (sites ou páginas na internet) há que se considerar no projeto links quebrados ou momentaneamente inacessíveis ao longo do tempo.

Fig.17 Navegação externa pode levar a links quebrados
ou indisponíveis. Ocultação de links indisponíveis
ou programação que gere alerta automático sobre eles
pode ser uma solução.
Navegação mista (com barra de navegação ou menus)
Neste exemplo há uma navegação hierarquizada, mas que pode ser acessada em orientação variada (diagonal, vertical, horizontal). Sistemas de recuperação de informação (quiosques, enciclopédias, p.ex.) portais de informação (universidades, notícias) fazem uso desse tipo de navegação, que precisa ser estruturada de forma a manter a consistência da informação.
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Fig.18 Navegação mista, quando organizada, pode ter mais de uma opção de
navegação. Um menu principal (geral) e um menu secundário podem ser complementares. |
O uso de pop-ups aqui pode gerar certos tipos de inconsistências se estes:
- forem acessado diretamente, e as informaações ali contidas forem dependentes ou relacionadas a outra(s) página(s)
- não possuírem link ou informação que remmeta ao site/página de origem, conforme o caso anterior

Fig.19 Pop-ups acessados diretamente podem
remeter a navegação truncada ou incompleta.
Incluir tags (meta) que impeçam indexação
em sistemas de busca pode ser solução para o primeiro
problema. Informar qual a página de origem de pode
resolver o segundo problema.
Navegação linear
Num exemplo semelhante ao caso anterior, dentro de uma navegação linear (onde uma página leva à outra imediatamente posterior ou anterior) o usuário que acessa uma página aleatoriamente é obrigado a fazer a navegação completa, antes de usar o histórico do navegador, p.ex.; fica assim sem possibilidade de pular páginas previamente para acelerar a navegação. Se o texto estiver fragmentado em um número considerável de páginas, a compreensão do conjunto é comprometida – ou retardada – na mesma proporção.
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| Figura 20: Navegação linear – o internauta só percebe a estrutura se fizer toda a navegação. |
A solução para essa situação está em incluir uma barra de navegação em todos os fragmentos de texto. Como existem diversas formas e variantes da implementação desta barra[1], esse tipo de estruturação será, na maioria das vezes, suficiente para garantir a compreensão do texto, independente da forma em que for acessado.
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Figura 21: Barra de navegação em todas as páginas – o internauta percebe
a estrutura do texto pela barra, que funciona como um índice ou sumário. |
Agora, acesse a segunda parte deste artigo.