Web Média
No início não eram trevas, a internet comercial era somente-texto com algumas figuras decorativas, normalmente em torno de 40KB. Em determinado momento a luz se fez através de animações simples, trocas de imagens em botões e outras pirotecnias coloridas. Havia conteúdo mais pesado (VRML, vídeo, áudio) mas não era regra geral. No início, a internet era leve, e a conexão com modem 3.3 kbps suportava o tráfego, numa boa.
De repente a conexão ficou mais rápida. O modem passou para 9.6 kbps, as pessoas começaram a disponibilizar algum vídeo com mais regularidade, animações vetoriais (nessa época, mais leves que as animações com imagens), enfim: se a grana está sobrando, vamos gastar, se tem espaço vago vamos ocupá-lo!
O modem chegou a 56 kbps e nesse momento o drama bateu a porta da frente. Conteúdo tradicional carrega tão bem, precisamos de conteúdo novo para manter o interesse do internauta! E tome applets mais complexos, vídeos maiores, interativos, e imagens mais bonitas e pesadas. Otimizar conteúdo pra quê? Quem ainda tem modem de 9.6? Eu vejo bem esse conteúdo, em breve todos estarão vendo tão bem quanto eu.
Esse é pensamento da internet de hoje. Mais ou menos como achar que facilidades para deficientes motores e visuais só são necessários em escolas para deficientes.
A causa que eu me bato é mais do que a da web acessível a portadores de necessidades especiais, é da Web Média; web para pessoas com algum grau de deficiência ou não, de acesso a cabo ou discado, de navegadores outros que não o Internet Explorer, de computadores com Windows ou Linux. E quando falo de web média, não quer dizer web ruim, apenas de uma internet que possa ser usada por todos nas mais variadas situações,ideais ou mínimas.
Não quero dizer que se deve fazer código acessível a navegadores somente-texto se o conteúdo é essencialmente de vídeo. Nem imagens hiper-otimizadas se o site é sobre moda e beleza.
A web média que defendo é uma web onde o conteúdo está atrelado ao projeto, e este é definido com foco no usuário. Chega de fazer sites visitáveis apenas se o assinante tiver banda larguíssima, ou que façam o usuário pensar se deve ver a versão com ou sem flash.
Na web média se o seu “carregando flash” levar mais de 15 segundos o site redirecionará para uma versão HTML com imagens (estáticas e/ou animadas), otimizadas. E haverá opção para ver o site em Flash, com alerta do tempo de carregamento em conexão discada.
Na web média o site deverá considerar naturalmente deficientes visuais permitindo que o texto possa ser aumentado ou acessível por leitores de tela, e até navegação somente-texto.
Se fosse fazer uma pequena sugestão para esta “Web Média”, seriam estas as linhas gerais, que podem ser incrementada no decorrer do tempo:
requisitos essenciais de
- navegabilidade: conteúdo inteligente, para banda larga ou estreita.
Isso quer dizer: página inicial leve, redirecionando automaticamente para o conteúdo compatível com a conexão. Após isso, deixar para o usuário decidir se deseja fazer navegação com conteúdo estático ou animado (leve ou pesado). O usuário não deve precisar decidir qual idioma irá acessar caso haja versão para mais de um idioma (como o Google já faz), salvo casos específicos.
- usabilidade: acesso para múltiplos usuários e dispositivos.
Isso quer dizer: as páginas deverão permitir visualização por pelo menos duas resoluções de monitor, aumento do tamanho dos caracteres e suporte a leitores de tela. Deve permitir ainda navegação em modo gráfico ou somente-texto se for essencialmente informativo. Por fim deve considerar acesso por 2 ou 3 dispositivos distintos (micro de tela convencional, wide screen ou palm/celular).
- conteúdo: conteúdo pesado para múltiplos cenários.
Isso quer dizer: conteúdo pesado com opção de download e/ou visualização, em pelo menos dois formatos; informação do tamanho em kb/MB com tempo presumido para download, além dos requisitos mínimos para visualização. Desejável versão simplificada do conteúdo pesado que explique o mesmo adequadamente, sem download ou transmissão do conteúdo original.
Hoje os pré-requisitos mínimos podem ser extensos, pré-definidos e escolhidos pelo (web)designer, mas estes ampliarão a audiência dos sites, fazendo a web média uma grande internet no final das contas.
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