Reflexões (4)
Já reparou que os desenhos animados da TV seguem um padrão muito semelhante, que não foi inaugurado, mas consagrado pelos Flintstones?
Repare bem: Fred Flintstone é o chefe de família com QI abaixo da média, gordo, trabalhador assalariado, inepto para fazer qualquer coisa que não seja o seu trabalho mecânico… igual ao Papai Dinossauro (Dino da Silva Sauro) ou Homer Simpson.
Bem, esse modelo já existia em desenhos animados anteriores, vide o Pato Donald e seus sobrinhos, da Disney. Se formos recorrer às Histórias em Quadrinhos a coisa vai mais longe, mas repare que este modelo se repete com sucesso, pois as pessoas se identificam com ele.
E como o cenário é igual, as situações são idênticas, para não falar nos roteiros. Tudo bem, os desenhos dos Flintstones são socialmente neutros, enquanto os Simpsons e Família Dinossauro são altamente críticos. Mas até essa crítica social está criando um novo padrão de repetição.
Se fosse criar uma teoria a respeito chamaria de “efeito Flintstones”.
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O problema da corrupção não termina no corruptor, no corrompido ou no lesado. Quando um governante é flagrado num ato de corrupção e é absolvido, o governo está sinalizando que ele é igualmente fora da lei: não cumprindo o papel para o qual foi criado, qualquer ato para depô-lo passa a ser legítimo (e esperado). E pior, sinaliza que não existe lei de fato - o próprio governo passa a ser tão nocivo à sociedade como os criminosos e contraventores, o que nos faz voltar ao raciocínio anterior, num círculo vicioso.
A crise moral do governo brasileiro aponta para dois fatos: a moralização da coisa pública é uma questão de sobrevivência (do governo e de nós, contribuintes). E assim como a hiperinflação no passado recente gerou um dos sistemas financeiros mais evoluídos do mundo, a “hipercorrupção” brasileira pode nos trazer um dos sistemas de monitoramento do serviço público dos mais eficientes do planeta.
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Ouvindo o noticiário no rádio me deparo com a notícia de que o governo brasileiro está procurando meios de reduzir o custo de produtos que consomem menos energia. O raciocínio (de curto prazo) é que, consumindo menos energia, haverá mais para todos. Ou que, assim se evitaria (prefiro dizer adiaria) a construção de novas centrais elétricas. O que o governo (nós) não atentamos é que as medidas efetivas para resolver a questão – que não é apenas energética – passa por fomentar a descentralização urbana (criar facilidades para morar no interior), e controle de natalidade. É de pouca ajuda consumir menos energia elétrica se a quantidade de consumidores não pára de crescer. O esgotamento do planeta (terra, mar, ar) é a grande questão a ser trabalhada. Minha geladeira que consome menos energia terá pouca valia se não houver mais um planeta Terra para fazê-la funcionar.
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