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Layout versus resolução de tela

Por Wallace Vianna em 21/05/2007 às 11:33.

Até bem pouco tempo o paradigma na produção de layouts para web eram as resoluções de tela de 800×600 pixels e 1024×768. Até porque, outras resoluções menores (640×480 x 640×320) não alcançaram a época da internet, e as maiores (acima de 1024 pixels) não tinham demanda por não haver conteúdo na web para este formato. De repente a popularização das LAN HOUSES, casas de jogos em computador, instituiu uma nova resolução de tela, 1280×1024 pixels.

Não vou questionar o “quase fato” de que muito pouca gente lê texto em tela de computador em resolução tão alta, assim como que pouca gente navega muitas horas na web em dispositivos móveis como um celular. Também não discutirei “fatos científicos” de testes de usabilidade que atestam determinados sites acessados na maioria por usuários com resolução de 1024 ou superior.

O que quero questionar, é que sites como o CDR (Cultura de Rua)

ou da OI (telefonia)

ignoram, cada qual a sua maneira usuários de resolução menor que 1024×768 (ao menos até a data presente, maio de 2007).

O CDR tem parte de seu conteúdo fora da área de visão de 800x 600 pixels, mas pelo menos deixa barras de rolagem disponíveis para que o conteúdo possa ser visto. A OI nem se dá ao trabalho: no Internet Explorer 6 (o IE7 ainda não se tornou padrão do mercado) a rolagem simplesmente não existe nessa situação, e mesmo visualizando em tela inteira, parte do conteúdo fica ilegível.

No mínimo esses sites exigiriam a famosa mensagem “melhor visualizado em resolução de 1024×768 pixels”.

Se fôssemos fazer uma análise ilustrada da situação atual, seria a seguinte:

Ok, as soluções tecnológicas para esse drama – ter seu site visível nas situações e resoluções mais comuns – requerem uso de Flash ou Javascript, sempre com uma solução de compromisso; seu site em Flash pode se redimensionar para qualquer tamanho de tela, mas em dispositivos móveis pode ficar ilegível. Usando HTML a restrição fica por conta do layout “mínimo” (em tamanho fixo, 800×600 p.ex.), que em resoluções muito altas (1280×1024) pode ficar com uma legibilidade muito ruim. Ou ficar descaracterizado ao usar recursos de acessibilidade (permitir o crescimento/redução do tamanho do texto, p.ex.).

Para piorar, há que se considerar que algumas pessoas utilizam resoluções de tela “não padronizadas” como 1280 x 768 pixels, devido ao uso de dispositivos portáteis (telas wide screen de laptops) ou de formato recente (PDAs, celulares e assemelhados). Eu mesmo estou com esse drama – um cliente meu usa em seu laptop resolução “pouco convencional” pois lhe é mais confortável assim. Só que ele quer ver seu site nesta resolução, o que significa criar uma solução que só ele verá no final das contas (!).

Como o progresso parece ter vida própria(*), o IE7 incorporou um recurso que alguns add-ons (Barra de ferramentas do ICQ) haviam criado num passado recente: permitir zoom (aumentar/reduzir a visualização) de páginas no navegador. De uma só tacada um calhamaço de código, patches, hacks e outras artimanhas perderam a razão de ser.

Ou seja, caros amigos: se por um lado a realidade da web não é essencialmente 800×600, ainda não chegou a 1280×1024; vamos crer que num futuro próximo outros navegadores importantes (FireFox, Opera) incorporem esse recurso de zoom para páginas da web. A variável agora passa a ser de outra ordem (qualidade das imagens visualizadas em zooms extremos e proporcionalidade no layout visualizado em escala, p.ex.). Vamos ver como a tecnologia (como comentei, esse “ser autônomo”) resolve estas novas questões.

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Nota:
(*) Como comentei num outro texto, hoje temos mais facilidades do que necessitamos para (sobre)viver de fato, fruto da fácil acumulação de conhecimento proporcionada pela rapidez dos meios de comunicação. Junte a isso a mega concentração de pessoas nos centros urbanos que, entre outros fatores, facilita e impulsiona a produção de conhecimento e temos um cenário onde a produção de bens e serviços não se dá mais por necessidade, mas sim por demanda duma sociedade de consumo, da economia capitalista atual e de fatores externos à necessidades “naturais” (status, luxo, etc). Daí essa impressão de que o progresso caminha independente de nossas vontades ou necessidades – de de certa forma isso realmente acontece, quando um surge um produto para o qual não havia demanda nem mercado.

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