18 de junho de 2011

Senhores do ócio x senhores do óbvio

Dentre as inúmeras coisas que "sei" fazer além de fritar ovos e fazer pipoca no microondas, "sei ser" administrador de redes já faz algum tempo. E esse tempo e experiência como administrador me ensinaram tantas coisas que hoje posso me considerar um profissional um pouco acima da média.

Uma das melhores coisas que tiramos da rotina são experiências que adquirimos. Infelizmente, nem todas as pessoas tem competência ou discernimento para entender isso, e pior ainda são os que tiram conclusões precipitadas sem conhecer ou tentar se informar sobre a realidade das coisas. Bastaria simplesmente observar "o óbvio".

Explico: uma das coisas que aprendi sobre computadores e redes é que os problemas e defeitos sempre se repetem, sempre são os mesmos e poucos profissionais têm visão suficiente para realizar ações proativas para prevenir o que é "o óbvio".
E, o que é óbvio?
  1. Redes não sobrevivem muito tempo sem manutenção e computadores menos ainda;
  2. A função primordial do administrador de redes é proteger o usuário dele mesmo.
A maioria esmagadora dos problemas dos computadores e das redes é causada pelo sujeito que é o motivo dos computadores e redes existirem; justamente o sistema que opera o sistema; o sistema que ocupa o espaço entre a cadeira e o teclado.
"O problema é o usuário."
Já calejado no assunto, tenho como rotina de trabalho colocar as coisas para funcionar, de forma "redonda", logo no começo, criando ferramentas e métodos para apenas manter tudo como está, tudo já esquematizado para que boa parte dos problemas "se resolva sozinho", já que muitos são mais do que previsíveis.

Essa rotina ordenada torna o trabalho inicial muito árduo e complexo, mas quando está tudo pronto, fica mais fácil, bastando apenas fazer um monitoramento constante e realizar ações de manutenção rotineiras e é aí que entram os "senhores do ócio"...

Recentemente, em uma das empresas onde SOU responsável pelo andamento da informatização, fui chamado na "sala do chefe" para negociar a renovação do contrato. Já imaginando que teríamos uma boa negociação, apesar de sempre estar "psicologicamente" preparado para o que der e vier, fiquei frustrado ao saber que, depois de todo aquele trabalho de deixar tudo redondinho e funcional, a empresa sinalizou que não haveria interesse em renovar a parceria.

Motivo? Alguém da equipe de suporte da empresa - que não me interessou saber quem é - disse que "eu não trabalhava". Só ficava "mexendo" no computador do administrador e não consertava nada. Esse ser desprovido de capacidade analítica achava estranho "eu não fazer nada" quando estava na empresa...

É interessante ver como algumas pessoas vêem o ambiente de trabalho. Pessoas com as mesas cheias de papel, cheias de e-mails para ler, cheias de clientes para atender, ficam horas e horas fazendo "o ócio" na empresa, fingindo trabalhar e ainda acusam os outros de fazer o mesmo, talvez por não fazer a mesma coisa que eles...

Como já não havia mesmo chances de renovar o contrato, liguei o botãozinho "desse-o-pau", o que, confesso, não é bom para quem está por perto. E lancei as perguntas de praxe:
  • A rede ou os computadores estão dando problemas?
  • Houve algum problema sem solução?
  • Alguém está tendo problemas ao usar a rede?
  • Alguma vez deixei você, sua empresa ou seus funcionários na mão?
  • Alguém na sua equipe não gosta de "gordos"? "Sério, mandei essa também!"
  • ...
Claro que as respostas também foram as de praxe:

" – Calma! Não é bem assim! Somos amigos! Você está alterado! É culpa da crise! Blá blá blá..."

Resultado: ontem, passadas três semanas e um carnaval de caos na rede, recebi um telefonema diretamente da sede da empresa, dizendo que gostariam de renovar o contrato comigo e ainda perguntando se eu tenho interesse em assumir a administração de duas outras filiais além da que eu administrava antes.

"Sério? Renovar aquele contrato para "fazer nada"? Vou pensar..."

Por quê? Duas semanas e um feriadão "sem eu fazer nada na rede" e tudo começou a ruir: estações parando, servidores engasgados, vírus atacando, rede lenta, Internet intermitente, usuários acessando Orkut e pornografia, 12 gigabytes de downloads em apenas um dia...

Sim, vou aceitar! Não que esteja precisando desesperadamente do serviço, mas principalmente para ver a cara do(s) senhore(s) do ócio, ainda mais agora, que retornarei como "chefe" (Iua!) da equipe de ócio suporte!!!

Agora, entendo mais do que nunca quando minha mãe diz:

"Em boca fechada, língua não ganha ferroada!"

5 comentários neste post

Dá-lhe André, "a volta por cima".
Assim que puder trate de se livrar do "ser desprovido de capacidade analítica", pois você deve saber quem é (EU mesmo imagino quem seja, pois já tive problemas com uma pessoa exatamente assim, quando trabalhava no mesmo local).
Já passei por situação parecida: o desqualificado sempre procura derrubar quem é melhor que ele para se manter na função, quando seria melhor utilizar o tempo para estudar, fazer bom networking e progredir... É o tal ditado: "cada um dá aquilo que tem".

Amigo, valeu pela força. Só não sei se estamos falando da mesma pessoa/local/empresa!? Seria uma grande empresa do setor de seguros?

Sobre o "ser", o enviei para um treinamento, com o comprometimento dele em melhorar o desempenho ou...

Política da empresa.

É que quando trabalhavamos numa mesma unidade duma grande instituição de ENSINO havia um camarada que tinha o mesmo comportamento, inclusive te detonando, dai imaginei que fosse ele. Da ultima vez que o encontrei ele sequer quiz falar comigo, o que foi um alivio para mim...

Comentário de
Anônimo Em 24 de junho de 2011 07:40.

Fabio Almeida(seu amigo na estacio)

Não tenho nenhuma grande experiencia para contar como a do senhor andré... mas achei muito maneiro e engraçado ao mesmo tempo essa historia. Interessante como o mundo da voltas rs.

Até..

"Alguém na sua equipe não gosta de "gordos"?"

Esse tipo de preconceito ainda existe? Nossa...

Ainda bem que sou magrinho... &;-D

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