3 de junho de 2011

Estou ficando velho 2.0

Rafael

Neste final de semana participei de um evento comunitário do qual a muito não participava. Tornei-me padrinho do jovem Rafael, filho de 10 meses de meu primo e esposa. O evento aconteceu em uma bela igreja católica próxima de casa, com todo o cerimonial característico, pessoas bem vestidas, gurizada chorando à vera, padre, coroinhas, auxiliares, familiares e tudo mais, quase da mesma forma que das últimas três vezes...

Mas faltou algo, uma coisa que era comum em tempos passados: os "fotógrafos profissionais". Aqueles camaradas que se destacavam, com seus sapatos gastos e câmeras enormes providas com um flash que parecia mais um farol de Fusca, além de uma bateria de meio quilo pendurada na cintura.

Eram os únicos que tinham "permissão" do celebrante para circular em locais restritos e os pais faziam fila para ter uma foto profissional de seu pimpolho, que seria entregue somente em alguns dias quando, só então, alguém descobriria que saiu de olhos fechados ou com o cabelo em pé.

Flash antigo
Flash do tempo do "ronca"

Na cerimônia até que tinha um pobre coitado perdido na multidão, um senhor de idade com uma câmera pendurada com uma cinta de couro ao redor do pescoço, mas ele foi lá mais de espectador do que de profissional...

Em contrapartida, nos bancos, corredores e cantos o que mais se viam eram flashes e mais flashes. Gente circulando com duas ou três câmeras e celulares ultramodernos que tem até o barulhinho característico das antigas câmeras automáticas. As mais variadas marcas, modelos, tamanhos e especificações estavam representadas.

Confesso que até tive vontade de levar a minha velhinha e dar uma de padrinho "coruja", mas antes de partir para o evento observei que metade da família já havia providenciado suas "piscantes" portáteis devidamente munidas de quilos de pilhas, cartões, pochetes e outros penduricalhos. Não quero ser só mais um na multidão...

O mais divertido disso tudo é ver os resultados depois, ao chegar em casa e "espetar" o gadget no PC... É pior que filme de terror de terceira, bem no estilo "Massacre da Serra Elétrica" temos um festival de cabeças cortadas, pernas decepadas e imagens fantasmagóricas daqui e dalí. Ladeiras íngremes e outras coisas impossíveis de identificar também estão presentes. Se de 60 fotos conseguimos aproveitar umas 10 para o álbum de família já é uma vitória, o fotografo já pode ser considerado "profissional".

Mas tudo se aproveita, o restante vai ilustrar algum álbum no Orkut, Flickr ou Picasa - lembrei agora do tal de "Flogão" (iirc!) - Fora os vídeos que, se não servem para serem enviados para as "Pegadinhas do Faustão", pelo menos podem receber algumas visitas de familiares em um Youtube da vida...

Acontece que na época dos filmes plásticos as pessoas paravam e faziam pose; o "fotografo" tinha a calma para organizar todos e falar "- olha o passarinho!". Afinal, o resultado só estaria disponível alguns dias depois de as fotos terem sido reveladas, então o cuidado era maior.

Hoje com as digitais, devidamente munidas de seus LCDs "gigantescos", as fotos se tornaram algo corriqueiro e dinâmico. Tira-se a foto "no momento" e muitas vezes só percebemos que fomos fotografados depois daquele monte de piscadas do "anti red eye". Quando alguém pede uma pose e o fotografado percebe que é uma digital, já fica ansioso para terminar logo, como se a digital fosse a parte divertida, hiperativa e informal da coisa enquanto a tradicional representa a clássica, séria e formal.

Como as coisas mudam e a tendência daquele senhor com sapatos gastos, câmera motorizada e flash de "Fusca" é mesmo desaparecer no tempo ou, juntamente com sua câmera, virar peça de museu...

1 comentários neste post

Comentário de
Anônimo Em 23 de agosto de 2011 08:46.

meu pai tinha um desses, esse flash deixava todos tontos vendo espirais sem parar!

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