1 de junho de 2011

Comprovado! Estou ficando velho

Radioamador

No começo da década de 1990 quando Internet era coisa cientista, como curioso, Eu sempre arrumava modos menos ortodoxos de me distrair. Um de meus hobbies por bastante tempo foi a rádio escuta. Ficava horas sintonizando e ouvindo rádios internacionais e comunicações em geral na banda de ondas curtas (SW). Tinha um rádio que eu mesmo montei que ficava pendurado em uma antena enorme, que praticamente dava a volta na casa.

Enjoado de só ouvir, migrei para a "Faixa do Cidadão", o popular PX. Mas a banda era horrível com canais congestionados, gente bagunçando o serviço, mau educados xingando, idiomas incompreensíveis e macanudos que ficavam uma hora ocupando o canal para falar da esposa que lhe colocou chifres. Era o Orkut do radioamadorismo. :-)

Em poucas semanas vendi meu rádio PX "butinado" com antena e tudo e me aproveitando dos privilégios da empresa em que trabalhava, comecei fazer chat com o pessoal do marítimo e do Telestrada, na banda VHF 2 metros. Comprei o melhor rádio e antena da época, paguei uma pequena fortuna no seria equivalente hoje a um Dell Studio com todos os acessórios e opcionais.


Icom ic2720: na época era o Dell do mundo radioamador.

Fiquei na banda muito tempo fazendo "DX", "contestes" e espalhei rádios pela casa de parentes próximos, afinal, na época, telefone fixo era um luxo, orelhão tinha filas enormes e celular era coisa de Startac Star Trek.

Um belo dia, aquelas bugigangas que o Capitão Kirk, Sr. Spok e os outros "Trackers" usavam nos filmes e seriados para se comunicar viraram realidade, as empresas de telefonia fixa - Tá bom! A Telemar - imploravam para agente instalar duas linhas em casa e orelhão passou a ser usado só pelas jovens que queriam namorar "fora de casa". Finalmente surgiu a tal da Internet e fui aos poucos me desfazendo dos rádios, das antenas e de toda a parafernália radio amadorística remanescente.

Não sou muito fã do ócio, sou alérgico a tenho livre e no domingo passado, depois das comemorações do batizado, tratei de arrumar algo para fazer...

Eis então que, futicando em velhas caixas guardadas no sótão eu encontro um par de rádios portáteis embaladinhos e guardados com muito cuidado a bastante tempo. Lembrei que eles foram os únicos que sobraram porque as baterias recarregáveis estavam totalmente danificadas e sem elas o valor para venda deles seria muito baixo. Decidí então guardá-los como relíquia na época.

HT Yaesu FT-11R
HT Yaesu FT-11R

São dois aparelhos Yaesu (marca famosa no meio) modelo FT-11R que, na época, podiam muito bem ser confundidos com um celular por causa dos botões, backligh verde e display LCD. Só a antena que revelava a real natureza do equipamento.

Como tinha que arrumar o que fazer no dia seguinte, uma segunda-feira de folga, tratei de desembalar as preciosadades e prever como faria para colocá-los para funcionar novamente. A solução foi desmontar as baterias, mandar o miolo de NiCd para reciclagem e recuperá-las com pilhas recarregáveis comuns.

Na segunda, passei em um "camelô de confiança" e comprei 16 pilhas recarregáveis Ni-MH AAA de 750 mA, cujo tamanho de um conjunto de 8 pilhas cabe perfeitamente no cartucho da velha bateria, inclusive fornecendo os mesmos 9,6 volts e 750 miliampères originais.

Resultado: uma bateria que, se nova me custaria 40 euros e ainda teria que ser importada, saiu por 20 reais, algumas horas de trabalho e algumas bolhas por causa do longo tempo em que não manuseava um ferro de solda. Ui! :-P

Agora tenho dois rádios funcionando! Vamos brincar? Relembrar os velhos tempos? Escanear a faixa para ver se tem alguém para conversar sobre o passado e talvez até encontrar velhos amigos?

Nada... Silêncio quase absoluto... Chiados... Apenas numa ou noutra freqüência se pode ouvir lá longe um navio gringo solicitando o auxilio da "praticagem". Nem conseguí saber se o Telestrada, usado por transportadores de carga, existe mais. Se existe está bem fora do alcance, o que é estranho, pois moro bem próximo a duas grandes rodovias.

Mesmo a faixa que era mais movimentada, a dos radioamadores 2 metros, está em silêncio. Diversas repetidoras deixaram de funcionar e o máximo que encontramos são "velhos que guerra", antigos macanudos solitários que ficam clamando por alguém para conversar. Cheguei a ouvir algo como: "- Aqui é PP2##... Alguém na escuta... Tem alguém aí! Oiiiii!"

Em época de comunicações digitais, ficou impraticável manter a maioria dos serviços e as próprias bandas ficaram obsoletas. Os radioamadores que, de um lado eram considerados gente de conhecimento técnico e com função social e de outro eram os desocupados que ficavam o dia todo conversando em "chats" via ondas de rádio, estão desaparecendo.

Mas eles estão dando lugar a uma nova geração, outras pessoas com conhecimentos técnicos diferentes, mas ainda considerados desocupados... :-)


Orkut e "Gatinha do inferno": representantes "mor" da nova geração de macanudos?

___ UPDATE ___

Conversando com alguns "macanudos" remanescentes, cheguei a conclusão de que a própria "burrocracia" da ANATEL vem atrapalhando a continuidade da comunidade radioamadora. O processo para tirar um registro é complicado, a prova é difícil e aborda assuntos desnecessários na atualidade, coisas que a tempos estão até mesmo fora das escolas mais atualizadas. Além disso, parece que a comunidade está sem voz ativa e os mais antigos "têm medo" de modernizar o sistema e ficarem para trás.

Claro que podem haver interesses "obscuros" envolvidos, afinal, um radioamador a mais corresponde a diversas ligações telefônicas a menos, sem falar nas bandas que ficariam disponíveis para "outros fins" se fossem desativadas. Concorda?

2 comentários neste post

Tio André, não fique preocupado em saber se está velho ou não! Tenho uma dica infalível para descobrir isso: dá uma olhada no espelho para ver se estão surgindo alguns fiozinhos brancos na cabeça. Se estiver, aí sim terás motivos para se preocupar... &;-D

Espera aí Ednei, vou verificar... Ih! Ferrou! kkkkkkkkkk

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