21 de setembro de 2009

Os órfãos da Palm

Os órfãos da PalmComo diz meu amigo Wallace Vianna, a evolução tecnológica tende a deixar reféns pelo meio do caminho. Gente que adotou uma determinada tecnologia ou linha de produtos e depois descobriu que o fabricante criou uma nova geração e simplesmente abandonou os usuários antigos à própria sorte.

Ontem um amigo me trouxe um Palm Zire 71, reclamando que não estava conseguindo conectá-lo ao seu novo PC. Em poucos minutos de pesquisa descobrimos que o fabricante simplesmente esqueceu que já havia vendido algum modelo daquele e não dá suporte para Windows Vista ou para os Mac OS mais recentes. Algo parecido com a Microsoft que impiedosamente esconde a paternidade o Windows ME...

Sempre fui usuário assíduo da plataforma Palm. Os handhelds da marca sempre me atenderam e foram mais do que suficientes para minhas necessidades. Até hoje, tenho dois modelos dos quais dificilmente me afastarei. Mesmo porque me acostumei a usá-los sem necessariamente conectá-los a um desktop. Modelos com WiFi e cartão de memória tem esta vantagem: são independentes de outras plataformas.

Testando o gadget com meu amigo, percebemos que ainda há muito a se explorar na moribunda plataforma, mesmo em um modelo mais antigo como o Zire 71 dele. Além da familiaridade que já temos com suas aplicações, o acesso aos recursos é simples, direto e muito rápido, bem no estilo clicou abriu com o qual tantos usuários de desktop sonham. E mesmo nas aplicações mais avançadas como câmera fotográfica, media player e editores de textos e planilhas, a coisa flui bem com comandos simples, fáceis de aprender e suficientes para a maioria das necessidades.

Lembro que em um passado recente até tentei migrar para a plataforma Windows Mobile. Foi quando a Dell decidiu abandonar os handhelds e fez uma queima de estoque mundial. Na época comprei um Axim X50, lindo, leve, e colorido, mas a necessidade de telas enormes, o peso das aplicações, o visual colorido demais, os ícones rebuscados e o péssimo gerenciamento da memória do Windows Mobile me fizeram ficar pouco tempo com o aparelho.

Logo em seguida comprei o excelente Palm TX que é um dos que uso até hoje com satisfação e voltei às raízes, a um sistema fácil de suar, em português, com aplicações de sobra para minhas necessidades. Antes do TX tive um Zire monocromático que é “sugado” pela minha sobrinha até hoje e depois dele um Zire 72 que até tirava fotos. Logo em seguida recebi um problemático Lifedrive para testes que, apesar de grande e pesado é lindo de se ver.

O Lifedrive também está comigo até hoje porque o cliente não o quis de volta! Ele descobriu que o aparelho era muito problemático para suas necessidades. Mas parte de seus bugs esquisitos foram corrigidos com alguns service packs e ele está funcionando muito bem com seu HD de 4 GiB é suficiente para gravar diversas aulas na faculdade.

Meus Palms.
O Palm OS tinha uma legião de fãs. Gente que gostava de simplicidade e agilidade dos aparelhos que transformaram a marca Palm em sinônimo de handheld. Muitos até desenvolviam aplicações para a plataforma que já foi a mais popular do segmento, chegando a milhares de aplicações. Você encontrava em sites, livros e revistas diversos repositórios de aplicativos, hacks, macetes e manhas para lidar com as coisinhas.

Como diria meu amigo Ednei, para que mudar se o basicão me atende? Tenho certeza que a maior parte dos usuários de iPhones & Cia não usa nem 20% da tecnologia que vem embutida no aparelho. Eu não usaria!

Se analisarmos bem, os velhos Palm ainda têm muito que dar, mas a maior parte dos consumidores não está nem aí. O povo é consumista e gosta de novidades, de “tirar onda”, de ganhar “as gata” com seus iPhones de milhares de reais e recursos pagos ou mesmo com seus “Ifones” de mentirinha, é só não chegar perto.

Quantas vezes já vi gente com belos smartfones ultra modernos com Windows Mobile, Office e cheios de firulinhas, tirando onda nos coletivos, tocando funk pancadão proibidão naqueles altofalantes minúsculos e estridentes à todo volume, se achando o máximo em termos de vulgaridade tecnológica, mas que não podiam nem fazer ligações porque não tinham créditos.

A própria Palm mudou seu foco e investe em smartfones mais sofisticados, mas que só são o “hype do momento” e logo depois se dissolvem na multidão de produtos similares disponíveis.

Mas é assim mesmo, somos influenciados por aquelas propagandas com pessoas irreais, efeitos visuais, recursos sofisticados e dificuldades tecnológicas para dar e principalmente para vender e acabamos esquecendo as coisas mais simples da vida.

Eu continuo com as simplicidades de meu TX e a beleza do meu Lifedrive enquanto der. E acho que ainda vai dar por bastante tempo!

1 comentários neste post

Um cliente meu, de serviços de web, me contou como lida com inovações: quando o mercado lança versões novas e a pessoas se desfazem dos equipamentos "velhos" adquiridos no ano anterior (!), ele compra esses equipamentos "velhos" a 1/6 do preço de lançamento...
No caso eram máquinas fotográficas analógicas, se fossem eletroeletrônicos, só com nota fiscal que ateste o tempo de uso, mas é um caso a pensar...

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