9 de setembro de 2009

Bom senso ou bloqueio?

Meu grande amigo André, editor do Catabits cita recorrentemente a expressão "bloqueio mental" para explicar a resistência de usuários de computador em migrar de determinado sistema operacional (no caso o Windows XP) para outros mais evoluídos (Windows Vista ou 7).

Acredito que tudo tem razão de ser, nada é gratuito.

Numa série de textos eu menciono a questão da compatibilidade dos softwares[*], onde, em resumo, advogo a tese de que a indústria de software passou da era da "compatibilidade retroativa" (anos 80/90) para a era da "compatibilidade futura" (anos 2000); não faz mais sentido no ritmo atual da economia, conhecimento e tecnologia pensar em "software antigo", portanto hoje vende-se a idéia de que o software tem de ser feito pensando nas necessidades futuras. Isso explica porque um programa feito para uma vesão do MacOS não funcionará mais na versão seguinte do MacOS, p.ex.

A questão se inverte perversamente quando um software novo, que não é voltado para as elites (como é o caso do MacOS) não suporta o hardware comprado a duras penas pelo usuário final.

Outro dia instalei o Windows 7 e ele não reconheceu minha câmera digital, via USB (!). Fui instalar oWindows Vista e ele não instalava "por cima" (reclamou que a partição de instalação tinha de ser o DOBRO do tamanho da partição da instalação do Windows 7). E tome formatar o HD, remover partições, instalar o XP, para DEPOIS instalar o Windows Vista (que reconheceu minha câmera digital). Estou sem Placa de som, mas vou levando (minha placa de som não tem driver para o Windowes Vista), fazer o que? Fico com o Vista pois ele é resistente a vírus, mas penso em instalar o XP numa máquina virtual para poder viver de acordo com minha realidade tecnológica e financeira.

Por essas e outras (o Windows Vista é uma coleção impagável de erros de políticas de software, marketing e tecnologia voltada para o público "médio") é que os usuários começaram a fazer o "downgrade/desatualização" do Windows Vista, ampliando o tempo de vida do Windows XP.

Para que não me acusem de estar sendo retrógrado ou ultrapassado, vou citar um bom exemplo de compatibilidade "para frente": os produtos da Adobe Systems, que primam pelo design, projeto e tecnologia jamais incorreram nos erros que citei no Windows Vista/7. Ok, a Adobe não faz sistemas operacionais, mas seus programas de demonstração (os famosos "trials") alertam sobre quanto tempo o programa foi utilizado e quanto tempo falta para que ele deixe de funcionar (coisa que o Windows Vista faz de forma muito pouco eficiente, se você instala sem "ativar o software"); os programas Adobe podem gerar arquivos que serão lidos nas versões anteriores, e se não puderem, alertam sobre o fato e o que você deve/pode fazer a respeito (se você salva um documento em formato .DOCX fica a ver navios se tentar abrir no Word 2003, p.ex). Nunca ouví falar em "downgrade" do Photoshop, Illustrator ou Acrobat (este último, mesmo sendo o menos perfeito de todos neste quesito, ainda assim é melhor que o Windows Vista), pois se tratam de produtos bem projetados.

Por isso não creio em bloqueio mental e sim de bom-senso tecnológico. Quem não tem necessidade/possibilidade de adquirir hardware/software novo todos os anos só irá migrar para a versão seguinte se tiver um motivo muito concreto (vírus de computador, no meu caso) e tentará usar seu hardware "antigo" até que ele deixe de funcionar ou não compense mais fazer conserto... Mais ou menos como numa propaganda recente da Apple que mostra um usuário de PC (careta) em contraponto ao usuário de Mac (moderninho); a resposta da Microsoft foi bem "pé no chão", ao fazer uma (contra?) propaganda com uma consumidora que diz: "como não sou bacana (rica) o suficiente para ter um Mac, estou comprando um PC"...

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[*] Site Profissionais de tecnologia:

1 comentários neste post

Wallace, você acabou de descrever todos os sintomas do “Bloqueio Mental”! Hehehehe! Brincadeira heim! Olha lá!

Mas vale uma réplica!

Sei que há situações e situações: o que percebi em minha “longa” (oh!) vida profissional é que grande parte das dificuldades das pessoas “em viver” está justamente ligada à dificuldade em aceitar as mudanças.

Na informática, para usuários e clientes isso é cabível, totalmente aceitável e até passível de uma boa orientação ($$). Mas para profissionais, isso não deve acontecer. Eu sou obrigado a viver a realidade de meus clientes e pelo menos nas áreas que eu atuo, essa realidade é complexa demais para que eu me renda a meus caprichos, preconceitos, sabores e vontades, ignorando as dos clientes ou tentando mudá-los.

Mais ou menos como um amigo que é “mestre pizzaiolo” (é assim que se escreve?): ele acha um absurdo, um pecado, uma heresia mesmo fazer pizza com sabores doces como goiabada, chocolate, balas "Mentos" e coisas assim, mas na pizzaria dele esses sabores são dos mais solicitados e ele acabou se tornando um “expert” no assunto e hoje tem uma das melhores “pizzaria/doceria” da cidade onde mora…

Minhas referências irônicas ao termo “bloqueio mental” (Na verdade os créditos são de minha ex-namorada que é psicóloga. Entendeu agora?) se referem diretamente a profissionais e não usuários finais, principalmente aqueles que têm uma clientela altamente diversificada e em vez de “correr atrás” ficam reclamando ou limitando a vida do cliente.

De uma forma geral, penso que preciso estar sempre à frente dos clientes, sejam novos e antigos e ter diferenciais em relação aos concorrentes para poder ganhar à altura. Se uma tecnologia fica muito tempo no mercado, muitos vão saber operá-la, desvalorizando meus ganhos e meu trabalho por melhor que eu seja. E olha que eu sou bom no que faço (cof! cof!)!

Toda vez que uma tecnologia morre abrindo espaço para novidades, é substituída ou simplesmente evolui, os profissionais antenados e preparados ganham destaque em detrimento dos “bloqueados”. São épocas de “vacas gordas” para quem se mantém por dentro das novidades, para quem evolui mas “sem perder o foco no que acontecia” antes…

Essa idéia também funciona para as empresas. Se eles não evoluem, seja acertando ou errando nas estratégias, ficam estagnados e com ganhos limitados. E temos como melhor exemplo o “Windows XP” que, esse sim, alguns consideram como uma das estratégias mais infelizes que a MS já teve, tanto que – Olha o que estou escrevendo! -, pode ter resultado na aposentadoria (renúncia) de seu representante “mor” e “cabra” mais rico do mundo…

De certo quem sofre as consequências com mais ênfase é quem não pode arcar com esta “evolução forçada” e se não estamos preparados para segurar a bomba… Dá-lhe Vista na nossa testa!

Como você descreveu muito bem, para o usuário final as mudanças de padrões e novas tecnologias podem ser um problema sério e ter consequências desastrosas. Por isso eu estou aqui para ajudar, obviamente mediante remuneração justa… Hehehe!

Que não me entendas mal, até porque, em diversos assuntos eu sou totalmente bloqueado!!! E cada um no seu quadrado!!! :-D

PS: Nossa! Essa réplica virou um post! Desculpa aí tá!

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