14 de agosto de 2009

Informação não é conhecimento

Não sou muito ligado em religião e acho que cada um deve “ficar na sua”. Mas uma coisa me deixava bastante intrigado em relação às religiões que seguem o “Velho Testamento”. No começo de tudo, lá quando Adão e Eva andavam peladões e tinha um tal fruto proibido que crescia na “Árvore do Conhecimento”. Desde então, desde que Eva “provou” do fruto do conhecimento, incitada pela serpente somos considerados por Deus, pecadores.

Interessante saber que na visão de algumas das maiores religiões do mundo, estou pecando pelo fato de conhecer, de saber, de ter ciência, de poder diferenciar entre bem e mau. Isso sem comentar alguns fatos curiosos: o que o “demo” fazia no Jardin do Édem? Como ele entrou lá? Porque na forma de uma serpente? O que um fruto que era proibido estava lá dentro? Se era proibido, porque foi deixado lá? Isso dá uma boa “Teoria da conspiração” ou seria “Teologia da conspiração”? Isso é para outro post!

Mas o fato é que quem tem o poder da informação, manipula e domina as massas, afastando-as do conhecimento. Conhecimento não é bom, conhecimento corrompe, incita independência, anarquia, consciência de coletivo, igualdade de direitos, saber.

O que seria da mídia, das igrejas e dos governos se isso acontecesse!!! Diversos episódios recentes relacionados à informação e conhecimento nos dão conta de quão é importante para os grandes setores o controle da informação e a alienação do conhecimento:

A gripe e os porcos

Para começar tem a tal da gripe que ninguém explica porque é suína. Tem gente sai matando os porcos do vizinho porque o filho está com febre! Mesmo com a enxurrada de informações sobre a “nova” gripe, a maioria esmagadora da população não sabe do que se trata. Nem mesmo médicos entrevistados em um programa de TV dessas emissoras com menos IBOPE sabem explicar o que é uma gripe?

Tudo que os meios de comunicação divulgam, é que umas 200 pessoas morreram no país até agora por causa da gripe dos porcos (ou gripe suína, ou gripe “A”, ou influenza “A” ou H1N1 ou mais um monte de nomes que só fazem nos confundir).

Nossa! Duzentas! E quantas morrem por dia no trânsito? E de malária, febre amarela ou mesmo da gripe comum? E os que morrem afogados, de tiro de overdose de erros médicos, de câncer, de infarto, ou seja, lá do que mais for? A informação foi dada alarmadamente e com muitos detalhes, mas o que significam essas duzentas pessoas que morreram desde o começo do mês passado? O que significa isso em termos estatísticos? Que ações estão sendo efetivamente tomadas para que isso não volte a ocorrer? Isso seria conhecimento, mas poucos ou mesmo ninguém cita fatos concretos e racionais sobre o momento.

Com excesso e manupulação de informação cria-se caos, desordem populacional, filas e postos de saúde lotados, erros médicos, mortes de grávidas, autoridades frustradas e difamadas e assim os meios terão simplesmente mais fontes, mais assuntos, mais notícias para continuarem manipulando e por fim mais IBOPE e mais anunciantes.

O senado e o Sarney

Outro fato recente de onde obtemos facilmente uma enxurrada de informações e nenhum conhecimento e a tal história do Sarney e as falcatruas dos Senadores. Até onde sabemos tudo começou porque ele, o Sarney, impediu um programa de televisão desses inúteis, semi-jornalístico e semi-humirístico, que faz humor tirando sarro com a cara dos outros ou humilhando o povo em cadeia nacional, de atuar nas dependências do Senado. Só sei que o carinha que é “dono” do programa caiu de pau no Coronel usando todos os meios de informação possíveis e imagináveis.

O que sobrou para o presidente “da casa” foi um monte de denúncias, de provas das falcatruas, de documentos comprovando a roubalheira, de conspirações. Tudo aquilo que já sabemos que acontece todo dia nos três poderes, mas que só lembramos quando aparece na TV ou no jornal. Mas tudo já foi devidamente esclarecido, engavetado, acordado, manipulado e todos estarão limpinhos nas próximas eleições…

Até porque em época de excesso de informações sobre gripe, com as crianças zoando em casa por causa do fechamento compulsório de escolas, com os capítulos finais da novela indiana e com as recentes denúncias contra a Universal/Macedo/Record, quem terá tempo de prestar atenção no Coronel Senador e seus jagunços engravatados…

Globais x Universais

O mais recente dos excessos de informação que foram e estão sendo “gofados” em nossas mentes manipuláveis é o caso da igreja Universal e o que eles fazem com a grana dos fiéis.

De um lado temos a toda poderosa e católica (ou seria indiana?) Globo, mostrando imagens nada digestas sobre cultos, fiéis, aviões, emissoras de TV, imagens de santos chutadas, templos grandiosos que foram comprados com o dinheiro dos óculos e muletas que os fiéis jogavam para o Macedão. Afinal a Globo é boazinha! Cuida da “esperança das crianças” e mostra para os brasileiros como os indianos são um bando de idiotas ricos e festeiros que falam português de forma engraçada.

De outro temos a segunda no poder, a protestante e “macedônea” Record, mostrando e comprovando a torto e a direito que todo o dízimo dos universais é devidamente aplicado em obras de caridade como emissoras de TV, aviões de luxo, vampiros evangélicos, casa fazenda dos artistas pelados, pornôs evangélicos e diversas outras formas de tornar nossa população pobre mais saudável e religiosamente correta.

Manipuláveis

Poderia citar diversos outros fatos, mas nesses três já sabemos que existem certos e errados, sabemos que existe o racional, que há uma verdade absoluta oculta nas entrelinhas, mas as informações são manipuladas de tal forma que isso não chega até nós por estes meios. Quem quiser obter o conhecimento dos fatos vai precisar de muita força de vontade, de muito poder e competência.

Um documentário recente na Rede Brasil me fez meio que ligar as coisas: em uma entrevista, o escritor Ferreira Gullar fez uma colocação interessante.

– As pessoas confundem informação com conhecimento…

Concordo! Informação é manipulável, é corruptível, variável e depende do ponto de vista, da vaidade, do ego e dos interesses de quem a divulga.

Já conhecimento é sólido, intelectual, racional, estabelecido e independente de ponto de vista.

Claramente, para os poderes, a informação é mais importante do que o conhecimento. O excesso de informações, que beira a “lavagem cerebral” é útil para bloquear a capacidade dos “fiéis” e dos “eleitores” de obter conhecimento e isso acaba se refletindo nas escolas, na Internet, na TV e na mídia em geral. Somos açoitados com uma quantidade imensa de informação, mas um mínimo de conhecimento (lembra do Orkut?).

E pior que quando toda uma nova juventude, já devidamente entupida de informação desde novinhos (lembra dos Teletubies? Ben 10?), chega na escola para adquirir conhecimento, não consegue. Fica difícil para boa parte dos estudantes entenderem um pensamento racional.

– Porque eu preciso aprender se está tudo disponível no Orkut e no Wikipedia. É só me dar meu diploma que já estou pronto para o mundo!

O que é isso, Matrix? Não podemos esquecer do fato de que estamos em plena era da “informação” e também do “conhecimento”. Mas obter informação é fácil, já vem mastigada e com as devidas opiniões prontas e organizadas. Já obter conhecimento demanda neurônios, consome calorias, tempo, raciocínio lógico, pesar e tomar decisões e isso é muito complicadinho para nosso “cerebrinho”.

Concordo com o Ferreira Gullar: enquanto o humano confundir informação com conhecimento, nosso cérebro não estará preparado para o próximo passo, para a próxima vida, como diria Darwin, para o próximo degrau evolucional. Seremos sempre Homo sapiens.

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