21 de agosto de 2009

Direitos sim! Colaborar jamais!

Recentemente alguns alunos fizeram alguns comentários que me fez pensar porque perco tanto tempo tentando ajudar os estudantes fora de sala de aula se a grande maioria não está nem aí para o meu trabalho? Montei sites, fóruns, comunidades e construí ferramentas, sem falar no tempo que levo para criar, configurar e manter tudo isso para que apenas dois ou três indivíduos mais conscientes usem.

Outro ex-aluno que atualmente é um grande colaborador fez outra observação que talvez seja a resposta. As pessoas têm medo de compartilhar seus conhecimentos e isso é uma verdade absoluta nos meios técnicos. Trabalhei muito tempo com eletrônicos e fui chamado de otário pelos meus colegas porque gostava de ajudar e compartilhar meus conhecimentos.

Depois de participar de cursos e eventos, gostava de marcar com eles dentro da empresa, para passar o que aprendi. Por isso já fui chamado à atenção por técnicos “velhotes”, dizendo que nunca deveria fazer isso, pois os outros poderiam usar meus conhecimentos para tomar meu lugar. De outro lado tinha o patrão que “estava” se dando muito bem às minhas custas em vez de reconhecer o meu trabalho.

Interessante, mas fiquei nove anos na empresa e saí por vontade própria, evoluí para outro patamar, enquanto “eles” até hoje ficam “pingando” de boteco em boteco ou estão sem ocupação e não conseguem colocação...

Há outro fato que contribui para isso: a preguiça! Afinal, acessar o Orkut e ficar mandando “scraps” para a galera não consome cérebro, mas elaborar uma pergunta, pensar em uma questão técnica, imaginar uma solução para um problema ou pesquisar um termo técnico resulta em um desgaste cerebral muito grande.

Para que isso se já está tudo lá, no Wikipédia?

É a diferença entre "informação viciada" e "conhecimento consolidado" e sobre isso, já falei um pouso em um post anterior...


"Gatinha do inferno" é um
dos símbolos do miguxês.
Sim! Já experimentei montar comunidades no Orkut para ver se “na casa deles” a coisa fluía, mas em pouco tempo começava a desandar. Muitos penetras entravam só para bagunçar e até “tocar horror”. Mesmo os estudantes começavam a sair da linha, usando a comunidade para outros assuntos ou para "bate bocas". Mas o principal problema é a “praga da sociedade escrita moderna”, o “miguxês”. Aquele idioma estranho, desenvolvido por preguiçosos semi-analfabetos e descerebrados, que o povo cisma de usar na ferramenta para que, quem está de fora (Acredito que até os miguxos e fofuxas mesmo), não entenda.

O inglês técnico usado na informática já não é uma coisa muito fácil para boa parte dos estudantes. Imaginem alguns “falando” inglês técnico em “miguxês”. Terrível, acredite! Não deu certo!

O fato é que ninguém sabe “colaborar”. Pense se não é verdade: a grande maioria das pessoas sabe “berrar” pelos seus direitos, mas não dão a mínima para seus deveres e principalmente para o direito dos outros... Quantas vezes não ouvimos ou até falamos “- Eu tenho direito porque eu pago!”. Mas “pagar” por algo também não demandaria deveres e responsabilidades? Quem se importa!

Uma vez os alunos questionaram porque a instituição não tinha uma placa de post para eles praticarem. Sugeri, e apenas isso, que fizessemos uma “vaquinha” e com três reais de cada um conseguiríamos comprar a tal placa. Revolta total! "- Isso é inconcebível! Eu já pago o curso! Vou processar a empresa! Isso dá PROCON! Vou fazer um escândalo pelos meus direitos!"

Tá certo! Quem sou eu para discordar! Só lembrei que uns dias antes eles se reuniram e fizeram uma “vaquinha”, arrecadando oito reais de cada um para fazer uma “festinha” com refrigerante, pizza e salgadinhos em comemoração ao final do curso que aconteceria no mês seguinte. Ocorreram discuções calorosas em relação aos sabores dos refrigerantes e das pizzas, mas todos pagaram felizes da vida os oito reais.

Legal! Temos o direito de pagar para festejar, mas não o dever de pagar para aprender... São outros tempos mesmo!

Placa post
36 reais
Pizza com refri
96 reais
Protestar pelos seus
direitos... Não tem preço

Mas eu não desisto fácil. Não, não Eu. Vou insistir mais um pouco, pois esses “siris” pingados que participam já representam alguma coisa e já carregam consigo minhas esperanças de que um dia teremos ótimos profissionais prestando serviços para agente!

Mas é claro que este “tapa na testa” terá conseqüências! Vou dedicar mais tempo para “minhas coisas” e menos em tentar acrescentar conteúdo “às coisas” dos outros...

1 comentários neste post

Comentário de
Anônimo Em 24 de fevereiro de 2013 12:11.

Relendo o post, concordo com vocë. O ser humano (as mulheres?) trabalha com a "percepção de valor", que não é uma coisa lógica (ou sensata).

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