6 de junho de 2009

Reflexões 8

O trabalho precisa de revisão, tenho o programa para fazer as edições necessárias, mas o autor do trabalho me diz "só uso a última versão do programa X". Nessa hora fico imaginando se a pessoa tem profissão ou se ela é profissional da marca daquele software.

Por exemplo: imagine que você tem uma empresa de ônibus e contrata um motorista. Na hora de começar a trabalhar o motorista lhe diz "eu não vou dirigir seu ônibus, pois ele não é da marca Y". Você questiona o porquê da negativa e ele responde com a maior naturalidade que "A marca Y fabrica os melhores ônibus e eu só trabalho com o melhor". Pode parecer surreal, mas eu já presenciei essa situação diversas vezes na área de design gráfico, com relação a uma determinada marca de computador, sistema operacional e software de edição de fotos.

Não vou questionar o fato de que, se desejamos o melhor. Devemos nos nivelar por cima, mas sim a idolatria que se criou em torno da tecnologia. Já passou o tempo em que eu instalava a última versão de todos os programas que utilizava assim que ele era disponibilizado em revistas especializadas, em CD-ROM. Hoje aprendo as novidades das novas versões conforme minha necessidade, no momento em que tenho de usar o software.

Exceção feita quando tenho de dar aula sobre o software, mas mesmo assim não significa aprender todos os botões do programa; o conteúdo das aulas é preparado a partir do escopo. Hoje não dou aula de software, e sim da aplicação prática dele.

A indústria de software, consciente de que faz parte de toda uma rede de geração de capital e consumo, lança versões anuais de seus programas sem grandes novidades relevantes apenas para atender a uma demanda auto-sustentada. Curiosamente a indústria não percebe que até o software "velho" possui publico em potencial - escolas, pessoas que tem hardware modesto, ou desejam adquirir software original a preço mais em conta.

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Ronaldo, o jogador de futebol, o ídolo esportivo, um dos maiores atletas de seu tempo faleceu no dia em que os jornais estamparam a manchete de seu envolvimento com três travestis na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Pode parecer exagero, mas o fato é que, daquele em dia em diante a vida de Ronaldo não foi mais a mesma. Na verdade a morte do ídolo esportivo já vinha sedo anunciada antes desse infeliz divisor de águas: o seu relacionamento com modelos, o casamento "repentino" com Milena que culminou no nascimento de seu filho, o casamento relâmpago com Cicarelli... Todos estes fatos apenas anunciavam que a vida particular de Ronaldo não ia muito bem das pernas, e que cedo ou tarde iria descambar para a vida profissional.

Hoje quando Ronaldo bate um pênalti correndo para um lado do gol, parando antes do chute, esperando o goleiro se jogar para um lado e depois chutando a bola para o outro, mostra claramente que, conforme já foi dito, Ronaldo é "um ex-jogador em atividade". Não precisamos nem comentar o seu excesso de peso, noitadas em véspera de jogos ou a infeliz idéia de um atleta ser garoto-propaganda de bebidas alcoólicas. Ronaldo deixou de ser um profissional do esporte no sentido estrito do termo por diversas razões.

Não que Ronaldo seja o único a dar maus-exemplos para a juventude e para a profissão: Edmundo "o animal", Romário, Adriano "o imperador" são outros maus modelos de comportamento - a chamada "síndrome de Garrincha" como preferem dizer alguns - para definir pessoas sem base familiar ou social para lidar com a fama ou sucesso profissional acima da média.

Como diz o título do famoso documentário, Pelé é eterno, pois é único. Para encontrar ex-jogadores como o Ronaldo de hoje não precisa procurar muito, infelizmente existem vários, em qualquer esquina.

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Porque a Adobe Systems quase perdeu a corrida pela web? Porque ela teve de comprar a antiga Macromedia para se reposicionar no mercado de programas para internet? Uma resposta está na interface dos seus programas.

A Adobe - como todas as empresas de software - lançam novas versões dos programas que comercializam todos os anos, mudando o desenho da interface e acrescentando algumas funcionalidades. No caso da Adobe, ela tinha um projeto de interface muito bem estruturado, do qual não abriu mão até comprar a Macromedia. Até então, a interface dos programas Adobe - seja mídia impressa ou digital - era, in essentia, igual desde a versão 1.0: painéis agrupavam funções, e tudo era feito por ali, não importa se eram botões de navegação para web, imagens bitmap ou efeitos de imagem. A Macromedia foi muito inteligente ao não reinventar a roda ao lançar seus produtos: copiou o que de melhor havia no mercado (a interface do Dreamwever no início era a mesma do PageMaker, que também foi comprada pela Adobe) e inovou onde era necessário (criar botões para web com camadas à la Photoshop nunca foi uma boa solução de interface).

Essa rigidez no projeto e interfaces da Adobe fez com que ela não produzisse boas interfaces de seus produtos para web (os finados Pagemill, GoLive e ImageReady são a prova disso).

Uma vez adquirida a Macromedia, os produtos para web - e agora os demais produtos - possuem uma interface "menos Photoshop" e mais atualizada com o que há de melhor em termos de design de interfaces.

Essa lição até a Microsoft está aprendendo, mas isso é assunto para outro post.

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Outro dia escrevi pequeno artigo tentando relacionar algumas virtudes e qualidades do software enquanto produto - desktop, instalado ou cliente - e o software enquanto serviço - online.

Hoje me sinto compelido a fazer uma revisão crítica deste tema, pois acredito que nos dias atuais fazer um software apenas "cliente" ou "online" é um erro de projeto.

Os programas da antiga Macromedia - adquirida pela Adobe - tinham um help/ajuda "instalado" e opção de atualizar essa ajuda via internet. Mas veja bem: atualização se o usuário concordar, nada de tomar decisões a revelia de quem usa o programa. A Microsoft disponibiliza uma ajuda nos programas "instalados" e uma segunda ajuda online. O usuário opta por qual vai usar. A Adobe disponibiliza uma ajuda online traduzida em vários idiomas, além da ajuda "instalada".

Todas essas ações são razoáveis e contemplam um usuário que possui ou não conexão de web.

Agora muitos softwares - principalmente os livres - optaram por disponibilizar ajuda apenas online.

Certo, facilita a atualização da documentação do software, reduz o tamanho dos programas, etc.

Agora, a política de disponibilizar recursos do programa apenas online não há como defender ou entender.

Então o autor do programa está excluindo quem não possui conexão de internet pois seu umbigo diz que "hoje todos possuem conexão de internet". Mamãe, todo mundo é igual a mim, então não existe fome no mundo, certo?

Mas e o usuário que trabalha desconectado da internet? Ou ele vai engrossar a fila dos que acham software gratuito ruim, fazendo propaganda do software pago ou simplesmente não vai recomendar aquele software... o que nos leva a uma outra conclusão minha: já está na hora de alguém tomar a iniciativa de definir diretrizes para o desenvolvimento de software livre, expondo os problemas para a comunidade e relacionando as melhores soluções ou práticas. Um site na web seria um começo, eventos nesse sentido com profissionais reconhecidos seriam um segundo passo, congressos e seminários regulares com publicações/artigos seria o ideal em longo prazo. Alguém tem de dar o primeiro passo, mas ele é necessário. Para que certas óbvias para quem usa, mas obscuras para quem desenvolve, sejam colocadas em prática. Como disponibilizar documentação e recursos do programa localmente, mas com link para conteúdo online...

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