8 de março de 2009

Reflexões 7


No começo achava que o BBB - Big Brother Brasil - se encaixava numa nova forma de teledramaturgia, uma novela sem roteiro, ator principal... uma antitelenovela. Com o tempo percebi que todo o programa é organizado como uma novela tradicional, apenas tem "cara" de reality show. Não é pra menos, ja diz a máxima de que as coisas deixadas por sí só vão do ruim ao pior (lei de Murphy), então o BBB tinha de ter algum fio condutor.

Antes de 2000 eu ja sentia cansaço do formato "tradicional" das novelas, onde pessoas interpretavm situações irreais como se fossem verossímeis. Imaginava uma novela onde atores tradicionais fossem filmados "atrás das cameras" se comportando como eles são no dia-a-dia. Nessa epoca a MTV brasileira apresentou o reality (mesmo) show "na casa", logo a seguir chegou o BBB, meus desejos QUASE se realizaram.

Hoje vejo que o BBB nada mais é do que a realização de um voyerismo coletivo. Nem reality, nem novela. Entretenimento interativo, um programa como o antigo "voce decide", levado às últimas conseqüências.

Mais ou menos como o jornalismo da TV Record ou SBT, o chamado "shownalismo", onde a fronteira entre o real e o show se perdeu de modo lamentável.

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A sociedade vem evoluindo e o excesso de informação faz com que a percepção das pessoas tente acompanhar essa mudança. Assista um desenho animado da primeira metade do século passado e compare com o Bob Sponja. A rapidez da narrativa dos desenhos dos atuais é muito maior que nos desenhos antigos. Também pudera: uma geração que é bombardeada todos os dias com cartazes, filmes, animações em diversas mídias tem de ter sua percepção do mundo alterada proporcionalmente.

Por outro lado, já foi estudado que o ser humano não foi feito para acompanhar a rapidez do atual estado de coisas. Isso explica porque tenho cada vez mais alunos com distúrbios de aprendizado e uns poucos que conseguem acompanhar o que digo em sala de aula. Rapidez não é sinônimo de qualidade. Mais vale comer uma refeição equilibrada em meia hora do que um big-qualquer-coisa em 3 minutos.

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A crise econômica atual começou quando o governo dos EUA (George W. Bush) aumentou a taxa de juros na hora errada: milhares de pessoas que adquiriram imóveis ficaram sem ter como pagar as prestações, o que levou as imobiliárias a ficar a ver navios. O problema é que as imobiliárias pegaram grana com bancos, que por sua vez pegaram dinheiro da especulação financeira.

Resumindo a novela, bancos quebraram mas o mercado iria se recompor normalmente se o dinheiro perdido - ou investido - fosse fruto da economia tradicional, onde trabalho gera bens de consumo e estes geram dinheiro. O problema é que o dinheiro da especulação é fruto da confiança - ou ganância - que as pessoas depositam na especulação. Quebrada essa confiança - ou crença no lucro fácil - a economia mundial se viu perdida, pois a economia formal infelizmente parece não sustentar mais nosso modo de vida. Do mesmo jeito que a natureza não é capaz de fornecer comida a 6 bilhões de pessoas, sem uma ajudinha da industrialização.

O mundo chegou a um beco que possui mais pessoas do que portas para passar, ao mesmo tempo.

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Quando a TV está ligada na novela "Caminhos da índia" (na verdade o Clone da novela "O Clone", da mesma Globo) é que entendo porque a crítica especializada, escritores, atores de outras mídias tratam a telenovela com tanto desdém.

A clicheriosa história-de-amor-proibido trata de maneira fantasiosa uma cultura (para nós) alienígena, a indiana.

A autora devia assinar a novela com um pseudônimo.

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A TV aberta copia a própria TV, com programas repetitivos; a Globo, como é líder, para se diferenciar da concorrência, copia o cinema, seja na estética das telenovelas, seja nos novos programas (Ô paí ó).

Particularmente já estou cansado de ver artistas participando de jogos e programas bobocas para "estarem na mídia", de programas de humor com baixo nível cultural e de filmes de violência na sessão da tarde.

Deve ser por isso que a internet a cada dia ganha mais usuários: a programação é mais do que variada, se renova ao longo do tempo e o espectador pode interferir no conteúdo. A TV no início, era local, o que gerava programação variada. Está na hora da TV voltar às origens...

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