22 de outubro de 2007

Modelos versus originais

Em minhas aulas de webdesign oriento os alunos no uso de modelos de layout no desenvolvimento de sites por diversos motivos:

- Criação de cultura visual. Navegar por entre imagens com grau de similitude (onde não mais se distingue o diverso ou o comum) é diferente de navegar por imagens que carregam grau de semelhança entre si (no conceito, tema ou estrutura). Para quem tem espírito crítico, é oportunidade de perceber que, por exemplo, a cor preta não se aplica normalmente ao tema alimentação. Para quem não tem cultura visual ou talento nato para desenho [*], é a chance de escolher um bom desenho antes de iniciar seu layout para a web.

- Encurtar a estrada entre a criação e a realização. Já tive alunos que insistiram em ficar na frente do Photoshop por uma semana sem produzir literalmente nada (!).

Apesar disso, tenho de reconhecer que do ponto de vista da criação, os templates/modelos padecem de um defeito inerente a sua função: não relacionam o conteúdo escrito com a informação visual. P.ex., por mais que um modelo para “site educacional” seja bonito, ele dificilmente dará conta de comunicar (no seu projeto visual) o conteúdo de minha apresentação (seja ela botânica ou eletricidade elétrica). E a iconografia utilizada dificilmente se justificará mesmo dentro do próprio contexto visual – porque aqueles traços semelhantes a um código de barras estão no topo do meu site, cujo fundo é uma textura de madeira?

Independente dos prós e contras, cada qual – modelo ou criação legítima - cumpre seu papel social. Quem procura ter uma presença na internet nem sempre deseja altos custos, e aí entram os sites de modelos com cadastros de domínio automatizados, e serviços disponibilizados em planos de pagamento. Ter uma presença na internet – assim como ter um cartão de visitas ou portfólio de trabalhos realizados – é o espelho de uma necessidade (por exemplo, se comunicar com os clientes ou ter um mostruário de serviços). Por outro lado, contrariando o senso comum, os serviços “sob medida” acabam se valorizando em relação aos serviços “empacotados” (os famosos modelos, neste caso). Quem opta por ter um serviço original deseja, entre outras coisas, realizar algo que não existe no mercado, diferenciação ou algum tipo de excelência (no produto ou resultado obtido). Aí o webdesigner pode ver uma oportunidade de remuneração compatível com suas pretensões e anos de estudo, mas apenas se investir continuamente em sua formação. Inovação é diferencial e este só pode existir como fruto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Eu particularmente acredito que o webdesigner pode atuar em pelo menos duas áreas “consagradas”: criação de novos serviços /produtos “empacotados” ou desenvolvimento de soluções customizadas. E ambas passam pela P&D. Um exemplo dentro do contexto deste artigo seria um serviço de construção de sites a partir de de modelos que trouxesse embutido serviços de chat em Flash, conectado a celulares; o outro exemplo já existe na praça: desenvolvimento de sites personalizados para estratégias de comunicação específicas, de grandes empresas. Em resumo, existe espaço para todos, resta a nós escolher sua área de atuação, com ou sem modelos.

_________________________________________________
Nota:
[*] Vale lembrar aqui que, fazer layouts para web não pressupõe necessariamente formação clássica em desenho; muitos webdesigners/projetistas de internet famosos como Hillman Curtis não sabem desenhar à mão livre e isto não os impediu de alcançar prestígio na atividade; isto se explica muito pelo fato de que a geração atual teve acesso às facilidades da informática mais cedo que a geração anterior, e que, desenhar em computador- latu sensu - independe de precisão manual ou formação em desenho, e sim de cultura tecnológica específica – coisa que qualquer adolescente que passa horas navegando na internet possui de sobra, mesmo que não se dê conta disso.

0 comentários neste post

Postar um comentário

Atenção comentarista!
  • Todos os comentários serão rigidamente moderados;
  • Identifique-se! Comentários anônimos não são recomendados;
  • Comentários com três ou mais links serão removidos;
  • Comentários escritos em miguxês ou excesso de gírias serão removidos;
  • Comentários escritos com predominância de maiúsculas serão removidos;
  • Por favor, prove que você é coerente, educado e bem informado: conheça o restante do site, saiba quem somos, sobre o que, para quem e como escrevemos antes de comentar futilidades;
  • Respeite as opiniões dos autores e dos outros comentaristas. Seja breve e sem ofensas;
  • Escreva comentários relevantes e que contribuam de alguma forma para o bem da humanidade;
  • Não seja um inútil social. Lembre-se que o mundo não gira ao seu redor.