29 de abril de 2007

O valor da tecnologia

A área de informática acaba sendo um eterno paradigma não só da tecnologia mas da sociedade atual, visto que as mudanças são muito rápidas nesta área do conhecimento.

Por exemplo, o valor associado a um bem ou serviço se mede não apenas na equação 'custo + lucro = preço' mas numa relação de valor de mercado 'demanda x consumo'. Por exemplo, um serviço como o acesso à web. Inicialmente discado, já foi relativamente mais caro do que hoje, por diversas razões. No início da web comercial esta era a única forma de acesso, havia grande demanda, era um serviço novo (pouco explorado), etc. Havia demanda, consumo, valor de mercado… até surgir o acesso de banda larga. De repente esse serviço perdeu o valor, ao ponto de agora haver acesso discado ilimitado, com preço fixo.

Aí, o consumidor pensa: se os custos da linha telefônica permanecem os mesmos, as empresas não estão ganhando dinheiro com o acesso, e sim de alguma outra forma. Ou as empresas preferem ganhar com margem de lucro menor a desistir de prestar esse serviço (ganhar na quantidade). Seja como for, isso nos leva ao seguinte paradigma: serviço ou produto ruim é aquele que não tem público consumidor “mínimo”, ou que ainda não demanda novas formas de faturamento.

Seja como for isso mostra uma “obsolescência além da programada” do conhecimento (isso vale para uma geladeira ou para um trabalhador especializado) e de que valor de mercado é algo mais do que relativo. A matemática do custo x lucro x preço x demanda x consumo pode não valer para daqui a seis meses, assim como a idéia de que o capital intelectual (conhecimento adquirido, experiência) está sendo substituído pela gestão do conhecimento (articulação do conhecimento existente).

Não estou dizendo para jogar fora tudo que aprendeu e aprender coisas novas do zero, até porque informação supõe tempo investido em leitura ou estudo, e conhecimento é um processo cumulativo. Mas a sabedoria em articular o que está a sua volta acaba sendo o novo paradigma atual. Mais ou menos como deixar de lado suas velhas convicções e adquirir novas(*). Todos os dias!

Nesse sentido, o valor da tecnologia, do conhecimento ou informação acumulados não está no que eles podem produzir “de concreto”, “hoje”, e sim no que esse cabedal de saber pode vir a produzir “amanhã” num “novo contexto” que ainda não existe, mas vai sugir a qualquer momento.

O valor da tecnologia hoje está calcado em valores intangíveis. Por exemplo, o som da porta dum BMW se fechando, do motor da moto Harley Davison e do seu modem para acesso discado a web provavelmente estão registrados, e isso tem o pomposo nome de “design de valores intangíveis”.

O valor da tecnologia, assim como o valor monetário de uma marca na bolsa de valores, não é mais palpável, é imaterial, é o famoso “valor agregado”. Esses conceitos – ou fatos – são assuntos que infelizmente a cultura tecnológica, os cursos profissionalizantes ou superiores (graduação latu sensu) não se ocupam, mas fazem parte de nosso dia-a-dia mesmo que não nos apercebamos disso.

O recado que eu deixo é simples: estude tecnologia, mas não apenas isso. Ou então seja sempre topo de linha naquilo que faz. Tenho um conhecido que investe pesado no estudo da área tecnológica, não é graduado, e ganha mais que um profissional com mestrado, na mesma área.

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1) O pensador alemão F. Nietzsche tinha uma frase (ou aforisma) ótima sobre essa idéia: “as convicções são mais inimigas da verdade do que a própria mentira”.

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