7 de abril de 2007

Novos tempos, velhos tempos

Num dos "Encontro de webdesigners" da Arteccom um ex-professor meu de faculdade, Freddy Van Camp, discorreu sobre o mercado de design, falando sobre a economia que esta atividade movimenta. Um amigo meu, desenvolvedor, comentou "ele está falando tanto de economia por quê?".

Apesar de ter minha atividade profissional calcada na tecnologia acho excelente quando as pessoas falam sobre assuntos que vão além desta área; tecnologia não é tudo, assim como a economia, sociologia, psicologia... Tecnologia não se ocupa dessas "ciências humanas".

Um exemplo: há muito tempo atrás, a área de serviços era uma atividade onde o tratamento informal, pessoal, era necessário; o joão da sapataria tinha de conhecer as pessoas para quem fazia fiado, até para cativar a clientela. falei da sapataria, mas poderia ser qualquer serviço: do engraxate ao jornaleiro do bairro.

O tempo passou, com o crescimento das cidades, não cabia mais o sapateiro que promete o calçado para amanhã e enrola uma semana; os serviços passaram por um processo de profissionalização que gerou uma impessoalidade: não há mais como o sapateiro conhecer todos os seus clientes, assim como não dá mais para acertar serviços na "camaradagem".

Mas ambos os processos tem seu lado positivo e negativo. Hoje por força da concorrência há uma luta para se atingir a excelência na prestação de serviços, o que gera atitudes impessoais; por exemplo, a empresa para onde presto serviços deposita meu pagamento religiosamente no 5º dia útil, mesmo que este dia caia depois de um feriado prolongado (!)...

Agora olhe o outro lado da moeda: fiz uma encomenda para uma empresa de SP (moro no RJ!), e a atendente do telemarketing (consultora de marketing ou gerente de contas, no primeiro mundo) me ligou no celular para finalizar a compra, e ainda me convidou para visitar a empresa caso fosse a SP e tomar o famoso cafezinho . Perceberam a diferença? O atendimento foi profissional, mas o diferencial foi a personalidade do trato junto ao cliente.

Acredito piamente que o futuro já chegou, e empresas e profissionais que por força das circunstâncias são profissionais e impessoais estão fadados a desaparecer via seleção natural; isso vale para qualquer área, serviços, comércio, indústria... Uma atitude humana, positiva, (valores antigos) vale tanto quanto ser extremamente profissional e entregar o serviço no prazo (valores atuais).

Agora, como concilar as duas coisas é assunto para outro texto...

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