4 de abril de 2007

Competir com Matrix não dá!

Estamos em plena era da informação rápida e automática (informática!), talvez por isso, muitas pessoas, principalmente jovens pensam que o conhecimento está apenas ao alcance de um click de mouse.

Os jovens querem conhecimento, mas não querem aprender. São até conscientes e sabem da necessidade de ter um intelecto bem formado, mas não querem passar pelas etapas intermediárias para isso. Querem um mundo no estilo Matrix onde, para o mocinho aprende a lutar jiu-jitsu, basta solicitar ao operador e alguns cliques depois já é faixa preta graduado (jiu-jitsu tem faixas?). Não, nada de aprendizado ou faixas intermediárias, já está tudo pronto e implantado no cérebro do carinha.

“Aliás, ninguém me explicou até hoje porque no tal filme, programadores tão “feras” em um mundo tão evoluído e com computadores tão poderosos, não usam mouse, interface gráfica, comandos por voz ou wireless! O operador ainda é obrigado a teclar centenas de caracteres em um teclado barulhento, ler letrinhas verdes e fora de foco em uma tela preta, e conectar cabos grossos e incômodos na CPU dos artistas…

Sempre inicio meus cursos pela “teoria” (se é que isso existe?). O que adianta um profissional “meter a mão” em um computador para consertá-lo ou montá-lo sem saber como ele, o computador, funciona? Mas os participantes sempre ficam ansiosos e perguntam ao fim de cada aula “- Quando começaremos a prática?”. A resposta e sempre a mesma! Já estamos nela!

Acredito que, chegando na “prática” então (se é que isso existe?), eles se dariam por satisfeitos, mas isso já não acontece mais, a prática parece ser tão ou mais entediante do que a teoria.

Ou, para um técnico em redes, basta saber fazer cabinhos de rede e ele já está pronto para concorrer no mercado? Sim, tenho alguns alunos que acham que redes é só aprender a “engripar” cabinhos azuis, ganhar um livro “de brinde” e só precisa voltar no fim do curso pra pegar o “diploma”.

Lembro que, aprendi a andar de bicicleta, caindo, me ralando, levantando e tentando novamente, ou seja, eu desafiei meu próprio corpo e dei meu próprio sangue para aprender a andar de bicicleta. Hoje, os jovens pesquisam na Internet um crack que gera um serial falso que engana o cérebro para fazer as conexões sinápticas necessárias para andar de bicicleta. Não, não tem mais sangue nem desafio! Que chato!

“Umm!
Conexões Sinápticas craqueadas!
Descobri o segredo de Matrix!
Vou patentear isso!”

De quem seria a culpa disso? Acho que em grande parte é do mercado de trabalho que avalia um indivíduo como profissional, não pela sua capacidade intelectual, mas por um amontoado de papeis que ele carrega consigo, certificados, diplomas, currículos, exame de sanidade mental, teste do pezinho, etc…

Até o governo, como bem disse o Wallace Vianna, incentiva essa prática ao aprovar e certificar estudantes que ainda não estão preparados.

Lembro que quando comecei a trabalhar, no século passado, era vantajoso ter poucos empregos registrados na carteira de trabalho, isso ajudava a provar a competência de um profissional. Hoje já é comum e esperado que um profissional de meia idade tenha pelo menos duas carteiras de trabalho totalmente preenchidas, algumas empresas sequer pedem carteira de trabalho…

O que acontece é que os responsáveis pela seleção desses profissionais não sabem mais entrevistar ou avaliar o intelecto de uma pessoa, não sabem testar seus conhecimentos com uma conversa ou uma apresentação prática. Eles não aprenderam isso na escola, e ainda não acharam o crack para isso na Internet.
Mas e se depois de contratados, verificar-se que os profissionais não estão qualificados conforme diziam os papéis? Normal, basta mandar aquele “cara” embora, abrir a gaveta de papéis e começar tudo de novo…

“A medida do conhecimento não está em um papel que pode ser rasgado ou adulterado;
O intelecto de um indivíduo não se mede por belas palavras impressas sobre fundo branco;”

Porque, em plena era da informação digital, ainda usamos tanto papel! Salvemos as árvores!

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