24 de janeiro de 2007

Software proprietário: quem entende?

Por falar em preços, coisa que não se entende é a política de preços da “TioBillSoft” no Brasil: estou dando suporte a um cliente que tem algumas lojas de produtos alimentícios e trocou em meados do ano passado os PCs por máquinas mais modernas. Devido às restrições do software que administra o negócio, as máquinas deveriam ter um famoso produto proprietário como sistema operacional.

Na época, para que tudo ficasse “legal” o cliente foi ás lojas comprar licenças do tal S.O., mas achou os preços exorbitantes. Em média R$550,00 para cada PC, isso só para o S.O., nada de editores de texto, planilhas e Cia. Como o custo estava acima do seu orçamento e por orientação de um dos vendedores, ele ligou para a fabricante do sistema em busca das “licenças por demanda” que são vendidas em quantidade e a preços bem menores, cerca de R$400,00 cada. Nada feito pois o fabricante só negociava as licenças se o cliente tivesse 30 micros ou mais em cada loja e ele só tem de 3 a 5 em cada uma! Ou se pagava R$550,00 para cada PC ou “mercado alternativo”. O resultado foi o esperado por todas as partes envolvidas: versões “Pirateware” nos novos PCs.

Agora, no começo do ano, ele recebeu a “grata” visita dos fiscais da Receita Federal, com o devido suporte de um técnico da associação que representa a empresa citada acima, que constatou a irregularidade nos micros e fez a indecente proposta de legalizar todas as licenças pela bagatela de R$350,00 cada. Frustrado, ele me liga dizendo: “- Que loucura! Quer dizer que só ganho incentivos depois que faço a coisa errada? Me incentivam fazer mer** e depois me dão prêmios por isso!”.

Revoltado, e com razão, mesmo antes de me procurar ele já havia decidido abandonar o S.O. proprietário, mas verificamos que isso exigiria um investimento muito mais alto devido à troca do sistema de gestão por versões para S.O. livre, somando-se aí treinamento, migração do banco de dados, suporte técnico, backup e possíveis perdas de dados. A solução foi partir para aquele conhecido site de leilões virtuais, onde conseguimos as licenças, originais e com nota fiscal pela bagatela de R$199,00 cada. Reinstalamos o S.O. proprietário com as novas licenças e todas foram registradas e ativadas pela fabricante, sem mais problemas…

Segundo o fornecedor, ele importa “legalmente” (?) as licenças diretamente com o fabricante (??), que custam cerca de US$50,00 nos EUA. As licenças são no formato OEM, e só podem ser vendidas com um “hardware” novo. Interessante que, pelo fato de nossa ultrapassada legislação não prever o formato OEM ou algo similar, qualquer hardware novo serve para validar a licença. No caso, recebemos um cabo de HD SATA com cada licença, que deve ser devidamente instalado no PC!

Resumindo, temos:
  • R$550,00 para usuários que compram o primeiro S.O. famoso nas lojas. Porque o primeiro contato é o mais traumatizante?
  • R$400,00 para cada “licença por demanda”, mas tem que ter muitos micros pra isso, ou seja empresas médias e grandes. Pequenos não tem vez e pagam mais caro?
  • R$10,00 no mercado negro e você ainda ganha “discontu si levá doís cedê”. Será que o fabricante ganha comissão?
  • R$300,00 se for flagrado usando pirata e você fica livre da multa. Somos premiados por agir errado?
  • R$199,00 no mercado “cinza” com tudo (mais ou menos) legalzinho e cabo de HD de brinde!
Quem entende isso?

Problemas resolvidos, mas já estamos planejando a migração gradual para software livre…

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