27 de dezembro de 2006

Eu odeio técnicos! E você?

Parece que algumas instituições declararam guerra contra os profissionais de informática (TI). Mais uma vez um site de notícias tutelado pelo mega-provedor UOL publica os supostos resultados de uma pesquisa contra nossa classe.

Dessa vez, a notícia afirma que nossos clientes nos odeiam. Não como pessoas, mas como profissionais. Somos metidos, arrogantes, nos achamos superiores e em contrapartida somos apressados, estressados, desorganizados, não sabemos ouvir nosso cliente e até mesmo desonestos…

Opa! Esta pesquisa está correta? Concordo em grande parte com eles e ainda complemento!

Eu tenho visto por aí muitos pseudo-técnicos e até mesmo profissionais bem preparados tecnicamente, mas totalmente despreparados no que diz respeito ao bom atendimento ao cliente.

Coisa que sempre incentivo em meus alunos: sejamos antes de tudo, prestadores de serviços. Todo técnico deve ser, além de um conhecedor, um orientador, um consultor. E todo consultor deve saber ouvir o cliente, entender suas necessidades pessoais também e orientá-lo usando uma linguagem simples, compreensível e amigável.

Só um exemplo: até hoje não entendo porque existem técnicos que personalizam o computador do cliente. Há pouco tempo recebi na empresa onde respondo pelo suporte, um técnico representante da Itautec para dar manutenção em alguns micros na garantia. O rapaz simplesmente trocou o papel de parede e desabilitou os efeitos gráficos do Windows XP. Mexeu daqui e dali, consertou o micro e já ia embora!

Segurei-o na porta de pedi que retornasse o micro à condição original, que é a adotada em todos os outros 60 micros da empresa e perguntei por que ele fez isso? Segundo ele: – “faço isso no micro de todos os clientes porque o Windus fica mais leve e abre mais rapidu…”. Ele sequer sabia que estava diante de um Pentium 4 de 3.4 GHz, 1 GBytes de RAM e HD SATA 2.0 de 80 GBytes onde é quase imperceptível a perda de desempenho com os recursos visuais do XP que estavam ativados…

Resultado? Fiz uma reclamação formal à Itautec e convidei o “dito cujo” a fazer um curso comigo!

Quer mais? Eis alguns fatos que me espantaram quando fiz recentemente algumas entrevistas com cadidatos à professores da empresa que trabalho:
  • Alguns não sabiam a diferença entre um Intel Core 2 Duo e um Pentium D, dizendo se tratar dos mesmos processadores mas com nomes diferentes;
  • Não sabiam converter um valor decimal para binário e vice-versa e ainda retrucaram: “- nunca usamos isso na prática”. Que fosse! conhecimento teórico não importa mais?
  • Alguns se espantaram quando viram um computador rodando Windows Vista e office 2007! Na época ainda eram Beta;
  • Disseram que o processador usado no Playstation 3 é um AMD Athlon 64;
  • Que o Intel Celeron é ruim porque não tem memória cache….
Se esses “caras” sequer lêem as notícias da sua área o que será que sabem do resto do mundo? Pior e que eles estão consetando nossos micros, mais ainda é que muitos deles querem dar aulas e quando não passam na prova de seleção reclamam que ela está muito difícil.

E alguns políticos em plena execução dos seus ociosos cargos ainda querem criar um tal “Conselho Reginal de Informática” ou algo parecido, argumentando que isso ajudará à classe. Ou seja, querem politizar e “propinizar” (de onde tirei esse termo? ) o trabalho de gente que sequer sabe consertar ou orientar. Se usarmos como referência o que os “Conselhos” e órgãos reguladores fazem com os técnicos de eletrônica, com os técnicos em enfermagem, segurança no trabalho, e por aí vai; e com as empresas que contratam essa gente, teremos um futuro negro pela frente na informática…

Gente, antes que comentem, não estou generalizando, até porque faço parte da área e como qualquer profissional, tenho meus vícios. Tem muita gente boa no mercado e esses acabam “pagando o pato” por uma minoria incompetente. Esse foi um dos motivos que me fezeram migrar da eletrônica para a informática e vejo tudo se repetir.

Veja aqui a notícia original.

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