15 de abril de 2006

Montar ou comprar pronto?

Até pouco tempo atrás, comprar as peças e montar seu próprio micro era o mais comum e recomendável para aqueles que têm uma experiência um pouco maior. E quanto maior a performance desejável mais economicamente vantajoso era partir para as lojas de peças, comprar os componentes mais adequados e integrá-los no novo PC.

O custo de um PC montado, ainda mais de alta performance era proibitivo para a média dos clientes. Mas dos meados de 2004 para cá o mercado mudou muito e vários fatores contribuíram para isso: queda da cotação do dólar, incentivos do governo, a concorrência entre os médios e grandes integradores(*) e até mesmo entre os fabricantes de PCs de grife.

Outros fatores que poucos gostam de citar, mas que são muito evidentes são: o aumento da oferta de produtos pirateados e de qualidade duvidosa, a falta de qualificação dos “técnicos” que montam nossos PCs e até mesmo falta de ética de alguns destes. Incluo aí os vendedores que se acham técnicos…

Só para ilustrar esses fatores, vou contar uma experiência traumatizante pela qual passei recentemente…

Estive visitando um grande mercado de partes de PCs, o que se diz o maior da cidade maravilhosa, em busca de algumas novas parafernálias tecnológicas para renovar meu laboratório. Eis então que encontro em uma das muitas “barraquinhas” (chamam de quiosques por aqui que formam tal mercado uma daquelas ofertas quase “imperdíveis” para um viciado em bugigangas.

Logicamente, como cabe a um técnico desde a era MSX, Apple II e contemporâneos, comecei a negociar com o vendedor. Cá entre nós, um tipo bem comum nesse tipo de mercado: mal educado, mal informado, que se acha um experiente tecnólogo, expert em produtos contrabandeados e que encara cada cliente como uma coisa ignorante, que “baba” quando instala uma “placa” de vídeo. Tipo normal!!!

Eis que em um momento de falta de atenção deste profissional com seu cliente, me viro para a “barraquinha” do lado, atraído por alguns sons bem característicos…

Foi quando que deparei com algo extremamente assustador, repugnante e que chegou até mesmo a me causar náuseas por alguns instantes. Estava lá um outro desses “vendedores”, montando um PC novinho sobre o balcão de vidro da “barraquinha”. A confiança do profissional na sua capacidade e conhecimento era tanta que ele simplesmente jogava as peças sobre o balcão de vidro, como se fossem balas de goma (e daí que vinha o som citado acima). Processadores Sempron de 64 bits (????) de um lado, memórias e parafusos juntos de outro. Placa mãe devidamente embalada no plástico de bolinhas sobre o gabinete de origem desconhecida, com aquela fonte de 500 Watts!

Você se pergunta: Pelo menos ele usava uma pulseira anti-estática? Já sabe a resposta né? NÃO!

Fiquei algum tempo observando o “profissional” montar aquele pobre Sempron com 256 MB de RAM, chaves de fenda no lugar de Philips que alguns instantes atrás estalavam ao se chocar com o vidro do balcão. Montagem até que bem feita, já que ele, com seu cigarro na boca, frente à placa de “proibido fumar”, não precisou encaixar as interfaces de vídeo, som, etc., pois a placa que estava no saco de bolinhas era uma “tudo on-board” de marca bem conhecida (aquela que faz alusão ao nosso querido PC).

Não testava nada antes, confiante de que após “enfiar” todas aquelas peças e cabos embolados e torcidos no gabinete tudo funcionaria normalmente, pelo menos pelos próximos 3 meses de garantia. Sistema operacional? Não sei se ele instalou, mas era perceptível aquele “case” de CD-Rs etiquetados à caneta, misturado com as poucas ferramentas que o digno profissional montador portava.

Fiquei excepcionalmente empolgado com a economia que ele fazia com os parafusos. O HD e o CD-ROM receberam 2 cada. O mais sortudo foi o floppy que ganhou um a mais, mesmo que inicialmente não tivesse “pego aperto” por ser incompatível com o furo e com a chave de fenda (o parafuso parecia ser para partes plásticas do gabinete e era do tipo Philips).

Fiquei pensando no coitado do cliente que vai levar aquela coisa para casa ou empresa! Bem fiz eu que comprei meus últimos 3 PCs de marcas conhecidas. Pelo menos não vi como eles foram montados…

Pensei também nos inumeros técnicos qualificados que estão por aí sem emprego porque pessoal desqualificado tomou o seu lugar por um terço do salário.

PS: Um grande amigo, chegou a minha casa e viu meu novo Dell sobre a mesa… Palavras dele:

“- Tá podendo heim! Eu que não tenho grana pra comprar um desses…”

Fiquei com vergonha, não do meu PC ou do meu salário, mas de perguntar de onde veio o PC dele…

Bom. A interpretação e as conclusões ficam à cargo de cada um. Nosso fórum está à disposição.

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(*) Integrador é o profissional ou empresa que monta PCs, à partir de partes de diversos fabricantes.

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